O projeto BridgingAll vai promover a ligação entre o meio académico e as escolas com o objetivo de melhorar a qualidade do sistema educativo no Algarve, desde a escola básica até à universidade, ao mesmo tempo que promove a literacia do Oceano e a comunicação das ciências marinhas.
Focar o Oceano
O ser humano tem uma ligação profunda com o oceano. O oceano influencia o nosso clima, suporta a biodiversidade e os ecossistemas dos quais dependemos e fornece uma variedade de serviços e recursos que influenciam a nossa vida. Desde o oxigénio que respiramos a alimentos, medicamentos e energia, o oceano é uma fonte de saúde e riqueza.
O Algarve, no sul de Portugal, tem uma fantástica costa com cerca de 200 km que inclui a Ria Formosa - um dos mais importantes ecossistemas marinhos do sul da Europa e um pilar para a economia regional e nacional (pesca e aquacultura). Devido à sua enorme importância ecológica e socioeconómica, o oceano é um foco central para o desenvolvimento regional do Algarve e uma área de investigação prioritária para a Universidade do Algarve (UAlg) e para o Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR).
Partilhar o conhecimento sobre os oceanos
Tanto o CCMAR como a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade do Algarve estão empenhados em alargar o conhecimento científico sobre as áreas marinhas e costeiras, e têm investido fortemente na transferência deste conhecimento para a sociedade. No centro desta transferência, as escolas regionais (pré-escolar, básica e secundário) são uma prioridade.
Todos os anos, os nossos investigadores interagem com milhares de estudantes que participam em palestras e atividades científicas experimentais nas suas escolas, visitam as instalações do CCMAR/FCT-UAlg, e participam nos estágios de Verão para estudantes do ensino secundário em parceria com a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica - Ciência Viva. No entanto, estas atividades estão longe de atingir a totalidade da população estudantil do Algarve, que é composta por mais de 70 mil estudantes, desde a pré-escolar até à universidade.
O panorama da educação no Algarve
O Algarve é a segunda região com a maior percentagem de estudantes por população residente em Portugal (16,5%, apenas ultrapassada por Lisboa e Vale do Tejo com 17%). No entanto, tem também uma das mais elevadas taxas de abandono escolar do país. Mais de 20% dos estudantes não terminam o ensino secundário, quer por falta de interesse em prosseguir os seus estudos, quer por limitações socioeconómicas.
Esta falta de interesse em prosseguir o ensino universitário, particularmente nos campos da ciência e tecnologia, é frequentemente acompanhada pela falta de conhecimento sobre os futuros empregos que possam ter na região, uma vez que as atividades relacionadas com o turismo são vistas como as principais oportunidades de emprego no Algarve. Em contrapartida, aqueles que se dedicam a áreas científicas acabam frequentemente por abandonar a região em busca de oportunidades de emprego, devido ao baixo investimento em atividades de I&D e empregos para a região. Todos estes fatores alinham-se com outros aspectos estruturais e económicos especificos desta região para explicar como é difícil aumentar o nível educacional da população no Algarve e aumentar a proporção de massa crítica especializada para dinamizar o desenvolvimento e a inovação desta região.
Uma estratégia para a educação e comunicação de ciência
O Algarve e os seus recursos naturais marinhos e costeiros têm um enorme potencial de desenvolvimento e inovação. São necessárias estratégias inteligentes para ligar as gerações mais jovens ao seu património natural, de modo a que compreendam a importância destes recursos para o sector económico da região, a os encorajar para que se tornem parceiros ativos na resolução dos problemas sociais que afetam estes recursos, e para atrair mais estudantes para as áreas científicas.
Estas estratégias inteligentes devem concentrar-se na transferência de conhecimento científico e inovação mais atualizado sobre as ciências marinhas, das instituições regionais de I&D para a comunidade escolar. No entanto, esta transferência de conhecimentos requer uma melhoria das atuais atividades de comunicação de ciência na região, incluindo a implementação de melhores práticas e o aumento das aptidões e competências de comunicação das pessoas envolvidas.
BridgingALL
O projecto BridgingAll pretende aumentar a qualidade da educação e comunicação científica no Algarve, promovendo cursos de formação que irão contribuir para o aumento da literacia do oceano e desenvolver aptidões e competências de comunicação de:
- Professores de ciências, aos quais será dada uma oportunidade de desenvolvimento de carreira, juntamente com competências científicas e técnicas, e acesso a recursos digitais e multimédia atualizados que poderão integrar nas suas aulas para estimular o interesse dos estudantes pelas ciências.
- Estudantes universitários (MSc e PhD), que poderão adquirir competências em atividades de divulgação sobre a ciência dos oceanos.
- Estudantes de 13 a 15 anos de idade, que serão motivados a prosseguir os estudos científicos através de formação informal, atividades científicas experimentais e saídas de campo para aprenderem sobre as ciências marinhas e do oceano.
Financiado por:

Operador de Programa:

Promotor:

Parceiros:

Projeto financiado pela Islândia, Liechtenstein e Noruega, através dos EEA Grants. Através do Acordo sobre o Espaco Economico Europeu (EEE), a Islandia, o Liechtenstein e a Noruega sao parceiros no mercado interno com os Estados-Membros da Uniao Europeia. Como forma de promover um continuo e equilibrado reforco das relacoes economicas e comerciais, as partes do Acordo do EEE estabeleceram um Mecanismo Financeiro plurianual, conhecido como EEA Grants. Os EEA Grants tem como objetivos reduzir as disparidades sociais e economicas na Europa e reforcar as relacoes bilaterais entre estes tres paises e os paises beneficiarios. Para o periodo 2014-2021, foi acordada uma contribuicao total de 2,8 mil milhoes de euros para 15 paises beneficiarios. Portugal beneficiara de uma verba de 102,7 milhoes de euros. Saiba mais em eeagrants.gov.pt
Projeto da Universidade do Algarve oferece kits experimentais a Clubes Ciência Viva nas Escolas algarvias
Quase 100 kits de ciências foram produzidos por um projeto promovido pela faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve (UAlg) para serem oferecidos aos mais de 30 Clubes Ciência Viva nas Escolas algarvias (CCVnE). Os kits, um dedicado à Acidificação do Oceano e o outro à Extração de ADN Vegetal, surgem das colaborações entre academia algarvia, o Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) e as escolas e vai permitir aos professores fazerem experiências com os alunos de vários ciclos de ensino, com reagentes que podem encontrar em qualquer cozinha.
Com vários anos de docência e realização de atividades com alunos do básico ao secundário, Rute Martins, responsável pelo projeto Bridgingall, apercebeu-se da dificuldade das escolas em terem “ferramentas experimentais de ciência” e procurou verbas para “criar mais valor” na região.
No dia 5 de fevereiro, os responsáveis pelos CCVnEs no Algarve foram convidados para um evento onde se ofereceram e deram a conhecer os kits e o seu conteúdo - material de laboratório, reagentes, manuais, protocolos e vídeos explicativos (com investigadores e alunos da UAlg).
O Agrupamento da Escola Secundária de Loulé está habituado a acolher palestras de professores da UAlg e de investigadores do CCMAR e a responsável pelo CCVnE louletano assume que os kits são “interessantes e práticos” e podem ser aplicados a “todos os alunos”.
“Podem ser divulgados tanto a turmas da vertente científica como da profissional. São alunos de contextos diferentes e até com experiências científicas diferentes, simplificando assim a ciência. Têm materiais do dia-a-dia, o que os ajuda a ter outra perspetiva da ciência,” destacou Nélia Leal. Para a professora de Biologia e Geologia, a existência de vídeos com uma explicação teórica dos conceitos científicos de cada kit e dos protocolos a aplicar nas experiências torna “muito claro os detalhes que são importantes para o produto final”, já que muitas vezes há “enganos na leitura do protocolo”.
O agrupamento de escolas Silves Sul foi o primeiro a ter contacto com estas experiências através de um campo de férias organizado pelo projeto Bridgingall e o seu responsável considera que a linguagem utilizada é “muito acessível”, permitindo que sejam usados “com alunos do 2º e 3º ciclo”. “A nós, professores, vai ajudar-nos bastante porque temos material que facilmente repomos, já que podemos ir buscar ao supermercado ou até à cantina da escola e conseguimos ter os kits sempre preparados”, destacou Homero Costa.
Estes kits científicos foram desenvolvidos e testados com a colaboração de investigadores do centro de ciências do mar do Algarve (CCMAR), João Cardoso e Zélia Velez, e de alunos do 1º ano das licenciaturas de Biologia e Biologia Marinha da Universidade do Algarve, um trabalho colaborativo com o objetivo de estimular a inovação e empreendedorismo destes alunos e sua ligação à comunidade escolar regional desde o início da sua formação académica.

