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Conservação de Tubarões e Raias

Tubarao

Conservação de Tubarões e Raias


Predadores ferozes ou espécies ameaçadas?

Os tubarões e as raias são espécies de grande importância ecológica. Grandes predadores do oceano, estas icónicas criaturas marinhas mantêm as populações de peixes saudáveis, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Apesar do seu estatuto de predador do oceano, estas espécies são muito vulneráveis porque crescem e reproduzem-se lentamente. Atualmente, muitas espécies de tubarões e raias encontram-se ameaçadas ou mesmo em risco de extinção devido a sobrepesca, degradação de habitats, alterações climáticas e poluição. 

As nossas investigações têm sido essenciais para compreender melhor estas espécies e desenvolver medidas eficazes para a sua conservação.

Os elasmobrânquios são peixes cartilaginosos, como tubarões e raias, conhecidos pelo esqueleto flexível e reprodução lenta, tornando-os vulneráveis à sobrepesca.


O Parque Marinho Professor Luiz Saldanha

Um refúgio para raias e tubarões

Desde 2007, o Programa Biomares tem monitorizado o Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, parte do Parque Natural da Arrábida. Este trabalho revelou que as medidas de proteção implementadas têm beneficiado diversas espécies de raias e tubarões, como a raia lenga (Raja clavata), a raia curva (Raja undulata) e a raia tairoga (Rostroraja alba). Estas espécies, alvos da pesca comercial, estão a demonstrar sinais de recuperação dentro das zonas protegidas do parque.

A investigação do CCMAR também destacou a importância das áreas marinhas protegidas na conservação de espécies altamente móveis, como o uge (Dasyatis pastinaca), que encontra refúgio no parque durante o inverno e migra para o estuário do Sado na primavera. A presença de juvenis da raia-tairoga (Rostroraja alba) e de ratão (Myliobatis aquila) sugere que a área também funciona como um berçário para algumas espécies.


Diminuir o impacto da pesca nos tubarões e raias de profundidade

A pesca de arrasto de crustáceos tem um grande impacto nos tubarões e raias de profundidade. Apesar de esta arte de pesca ter como alvo algumas espécies de camarões, gambas e lagostins, o projecto DELASMOP revelou que é uma arte muito pouco seletiva, resultando em grandes quantidades de pesca acessória. Normalmente, os tubarões e raias de profundidade capturados acidentalmente são devolvidos ao mar, mas isso não significa que sobrevivam: grande parte dos indivíduos capturados já chega morto a bordo. Para os que não chegam, porém, há medidas que os pescadores podem tomar para aumentar as probabilidades de sobreviverem.

 

© Ilustrações de Luís Thiem

O que se pode fazer para reduzir a captura e aumentar a sobrevivência dos tubarões e raias

  • Reduzir o tempo de exposição ao ar: devolver rapidamente os animais capturados ao mar pode melhorar significativamente as suas taxas de sobrevivência.
  • Dar prioridade à devolução dos animais: se o animal chega a bordo com vida e possui uma boa condição corporal (fortes movimentos do corpo e do espiráculo e sem lesões significativas), a sua devolução deve ser priorizada.
  • Manuseamento adequado durante a devolução: Evitar segurar os animais pela cauda ou fendas branquiais e minimizar o tempo de captura a bordo. No “Guia de manuseamento de tubarões e raias” pode encontrar boas práticas para não magoar os animais.
  • Usar dispositivos de exclusão nas redes: Estas modificações permitem que os elasmobrânquios escapem antes de serem puxados para bordo.
  • Restringir a pesca a determinadas profundidades: apesar de, por lei, a pesca de arrasto de crustáceos ter como limite os 800 m de profundidade, aconselha-se a não exceder os 500 m de profundidade, especialmente nas zonas entre as cidades de Portimão e Sagres e no canhão de Portimão.
  • Monitorização eletrónica: O uso de câmaras em embarcações pode melhorar a identificação de capturas acessórias e contribuir para uma gestão mais eficiente.
     
Barco de pesca de arrasto em alto mar
guia_delasmop_capa

Descarregue aqui o guia realizado pelo projeto DELASMOP.

netboat

Os elasmobrânquios de profundidade são pesca acessória frequente na pesca de arrasto de crustáceos. O peso da captura acessória de elasmobrânquios na costa Sul variou entre 0 e 47% do peso total da rede, enquanto na costa Sudoeste, os valores variaram entre 1 e 58%.

 

 


Alterações Climáticas e o Futuro dos Elasmobrânquios

Os nossos estudos também sugerem que, apesar dos desafios ambientais, as espécies de peixes capturadas na pesca portuguesa, incluindo alguns elasmobrânquios, poderão suportar as alterações climáticas previstas para as próximas décadas. No entanto, a monitorização contínua é essencial para avaliar o impacto das alterações climáticas e garantir a sustentabilidade das populações de tubarões e raias em Portugal. A investigação e conservação dos elasmobrânquios continuam a ser uma prioridade para o CCMAR, contribuindo para a preservação da biodiversidade marinha e para um oceano mais saudável para as futuras gerações.