Um novo estudo revela que o cavalo-marinho-de-focinho-comprido consegue caçar com sucesso em diferentes habitats, mesmo que estejam repletos de algas invasoras, o que reforça a importância da vegetação subaquática para a recuperação da espécie.
Os cavalos-marinhos da Ria Formosa continuam a surpreender os nossos investigadores.
Um novo estudo conduzido por Filipe Parreira, mostra que o cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) é um predador altamente adaptável. Mesmo perante o avanço da alga invasora Caulerpa prolifera, esta espécie consegue manter o seu sucesso alimentar — uma descoberta que traz esperança para a sobrevivência e até recuperação das suas populações na Ria Formosa.
“O cavalo-marinho é um peixe curioso — não é um grande nadador, mas é um caçador paciente e eficiente. Usa a vegetação à sua volta como camuflagem e abrigo, seja ela nativa ou invasora”, explica Filipe Parreira.
As experiências, realizadas em laboratório nas instalações do Ramalhete, recriaram três tipos de habitats típicos da Ria Formosa: ervas marinhas, sedimento e Caulerpa prolifera.
Em cada um deles, os investigadores testaram três fatores distintos que influenciam o sucesso predatório dos cavalos-marinhos:
- Identidade das presas – para perceber se a escolha alimentar depende do tipo de habitat ou do tipo de presa disponível;
- Disponibilidade das presas - com simulação de cenários de escassez e abundância;
- Complexidade do habitat – para avaliar como a densidade da vegetação (mais ou menos estruturada) afeta a capacidade de caça.
Resultados que dão esperança
Os resultados mostram que aumentar a densidade da vegetação, tanto nas ervas marinhas como na própria Caulerpa prolifera, duplica o sucesso dos cavalos-marinhos ao capturar presas.
Este efeito deve-se à estrutura física da vegetação, que oferece abrigo e camuflagem, permitindo-lhes caçar de forma furtiva e eficaz.
Além disso, os cavalos-marinhos mostraram-se altamente adaptáveis:
- Conseguem alimentar-se com sucesso em qualquer dos habitats testados;
- Mantêm a eficiência mesmo em situações de escassez de alimento;
- Tornam-se mais seletivos quando há maior diversidade de presas, demonstrando comportamentos alimentares flexíveis.
“Estes resultados são muito encorajadores. Mostram que, apesar das mudanças rápidas na Ria Formosa, os cavalos-marinhos têm uma notável capacidade de adaptação. No entanto, pradarias marinhas saudáveis e densas continuam a ser essenciais para o seu sucesso e recuperação”, sublinha o investigador.
Um futuro dependente da vegetação subaquática
O estudo reforça que, embora a Caulerpa prolifera possa temporariamente oferecer refúgio e estrutura, as pradarias de ervas marinhas continuam insubstituíveis para o equilíbrio ecológico da Ria Formosa.
A sua preservação e restauro são fundamentais não apenas para os cavalos-marinhos, mas para os restantes animais que habitam este ecossistema lagunar.
Referências
O artigo “Predatory success of the long-snouted seahorse (Hippocampus guttulatus) across different habitats: implications for resilience under habitat change” foi publicado na revista Marine Environmental Research.
📄 DOI: https://doi.org/10.1016/j.marenvres.2025.107247
🎥 Vídeos complementares das experiências estão disponíveis no canal @Seaghorse no YouTube , com destaque para “Experiências de eficiência alimentar”
