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Aqui pode seguir os nossos investigadores que estão na Antártida a trabalhar no projeto FISHWARM III. Acompanhe-nos nesta expedição!

Aqui pode seguir os nossos investigadores que estão na Antártida a trabalhar no projeto FISHWARM III


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11 Fevereiro 2016

14 - Warming up!

Após um pouco mais de uma semana de aclimatação às condições de cativeiro iniciámos há dias o processo de aumento gradual da água nos grupos experimentais. A água do mar aqui tem uma salinidade de 29-31 psu, a temperatura da água do mar tem variado entre 1.2 e 2.0 graus centígrados e o oxigénio dissolvido entre 10 e 11 mg/L, e o esforço tem sido para manter as condições no contentor o mais parecidas a estas.

Fazemos várias monitorizações diárias e noturnas destes parâmetros, verificamos o comportamento dos peixes e também se respondem ao alimento como forma avaliar aproximadamente o seu grau de habituação ao novo ambiente.

Também é necessário manter o mais frio possível as serpentinas que ajudam a refrigerar os nossos grupos controlo... tarefa quase diária é ir "cavar" neve. Outra tarefa é a substituição de parte da água para menter a temperatura, oxigénio e qualidade de outros parametros como os níveis de amónia, um composto que os peixes excretam mas que é bastante tóxico quando a sua concentração no meio aumenta.

Com uma bomba elevamos água do cais para o nível do contentor e com mangueiras renovamos a água. Mas é necessário ferrar a bomba o que não é nada agradável quando a tempratura da água é pouco mais de um grau e a do ar por vezes está abaixo de zero!

Cerca de metade da água dos tanques é mudada uma a duas vezes ao dia, ou de dois em dois dias, depedendo da temperatura ou da alimentação dos animais, mas apenas nos tanques inferiores, para não criar excessivo disturbio nos tanques superiores onde estão os peixes. Até agora tudo bem, sem mortalidades a atribuir ao cativeiro e já uma habituação à nossa presença e actividades de manutenção.

A aclimatação a temperaturas elevadas visa simular o que se poderia passar num processo de alterações climáticas. Assim vamos manter grupos controlo a 2.0 graus, um grupo em água aquecida a 4.0-5.0 graus, que simula a temperatura máxima no limite norte da distribuição desta espécie e um grupo a 7.0-8.0 graus, que constituirá um valor excessivo para a espécie. A aclimatação é gradual, mas mesmo assim rápida, pois subimos 0.5 graus por dia, e depois estabilizamos num período de cerca de uma semana à temperatura final. Queremos ver como a fisiologia é alterada, nomeadamente a resposta hormonal e o metabolismo de stress, e analizar o conjunto de genes que medeia estas respostas, e assim avaliar a capacidade destes animais de responderem a eventos agudos depois de um efeito mais ou menos crónico.

Infelizmente as condições climáticas e a logistica dificultam muito as experiencias de longo prazo nestas paragens , e o que temos é apenas uma fotografia da resposta a estes efeitos e não uma indicação clara de como a espécie poderá ser afectada. No entanto o processo de adaptação é lento e ocorre por muitas gerações, e este grupo de animais, os peixes nototenídeos, evolui neste ambiente estável e frio por mais de vinte e cinco milhões de anos. Dado que os peixes na Antártctica têm normamente um tempo de geração longo, é presumível que este não seja suficiente para seleccionar as melhores caracterisiticas a tempo de, como espécie, responder aos desafios previstos para as alterações climáticas dos próximos cem anos - se as capacidades não existirem agora provavelmente não existirão num prazo tão curto e é isso que tentamos medir - a plasticidade molecular e funcional destes animais, genótipo e fenótipo.

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro    TOPO

09 Fevereiro 2016

13 – Parabens Lao Pu!

Hoje foi o aniversário do Bruno! Após um dia de
monitorização e manutenção nos nossos tanques decidimos caminhar um pouco pelo
sul da península de Fildes, a região mais meridional da Ilha do Rei Jorge, e
aquela que não está coberta por glaciares. Mesmo assim o terreno é acidentado e
ao deixarmos Great Wall para trás é sempre a subir pelo solo pouco firme ou
pelos afloramentos rochosos que mantêm firmes as encostas, ou pela neve fofa
nuns locais que passa a gelo e depois a zonas alagadiças onde é possível
ficarmos “atascados quase até ao joelho”... Foi por esta zona que o Pedro
Ferreira e o João Mata andaram a fazer o seu último corte geológico desta
campanha.

Mas vale a pena a caminhada. Os declives acentuados das
vertentes e os pequenos vales entre colinas formam pequenos ribeiros e lagos,
rodeados de musgos, e dos pontos mais altos as vistas são impressionantes.
Chegando ao extremo sul podemos avistar a Ilha Nelson, separada desta por um
pequeno estreito e quase toda ela coberta pelo glaciar do mesmo nome.

Caminhando de volta ao interior, mais do mesmo tipo de
terreno... um longo e largo vale conduz-nos agora ao oeste da ilha, para a
costa que fica para o lado da Passagem de Drake, o trecho do Oceano que separa
a Antarctica da América do Sul, e onde convergem os Oceanos Atlântico, Pacífico
e Antarctico.

Ao aproximarmo-nos da costa as pequenas colinas rochosas
cobertas de musgos e liquenes são o teritório das skuas, umas grandes aves
aparentadas com as gaivotas, e elas defendem-no atacando os invasores com voos
picados. Tentamos sempre passar o mais longe possível dos locais de nidificação
para não perturbar a vida selvagem, mas por vezes é inevitável não ser ameaçado
pelos locais.

Da costa veêm-se vários icebergs que pontilham o oceano
como pequenas ilhotas em direção ao Drake.

Mais perto, uma praia verdejante e nela, o que viemos ver –
um grupo de elefantes-marinhos. Guardamos a distancia mas o tempo começa a
fechar e não conseguimos apreciar melhor estes enormes pinípedes... são todos
femeas ou machos juvenis... impressionantes mas ainda longe das tres toneladas
e meia que pode atingir um macho adulto.

São quase 18 horas e temos de voltar para o jantar e para a
celebração do aniversário! Há prendas – uma T-shirt CHINARE e um envelope
comemorativo dos 30 anos da base, já com selo – um item de colecionador. Não há
bolo mas há uma bela tijela de noodles com ovos, e há tempo... toca a comer
isso até ao fim com pauzinhos!

Pedro M Guerreiro e Bruno
Louro

TOPO

8 de Fevereiro de 2016

 12 - Happy New Year... Chinês

 O Ano Novo Chinês começa hoje, dia 8. Este é o ano do
macaco!

 

 

 

 

 

 

 

As preparações para a comemoração já tiveram início há
alguns dias. No sábado foi oficalmente inaugurada a sala de exposições da base,
que comemora os 30 anos desde a primeira expedição chinesa à Antárctica e
mostra as várias actividades do CHINARE – Chinese National Antarctic Research
Expedition. A exposição ficará no Edificio 1, aquele que foi em tempos o
principal edifício da base, e o primeiro a ser construído. 

Toda a equipa é mobilizada para as fotos oficiais, o que
toma o seu tempo devido à metódica colocação de todos para que nenhuma cabeça
fique escondida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá dentro, uma maquete com a disposição da base e uma
cronologia da construção desta e das outras três bases chinesas na Antártica.
Também informação relativa ao Xue Long, o gigantesco navio quebra-gelos que
serve a investigação e a logística do CHINARE, e uma recriação da vida na
estação nos anos 80. Ahh, e um tapete com a Grande Muralha da China, de onde a
base retirou o nome.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No Domingo tudo parece calmo e durante o dia há pouco ou
nenhum movimento, o que é pouco habitual. Aqui não há fim de semana... talvez
seja por ser véspera de ano novo, que na China equivale ao Natal no mundo
ocidental, uma época em quea familia se reune. E de facto por volta da hora do
almoço muitos estão ao telefone – em Pequim já é meia noite de passagem de ano.
Nós ainda temos de esperar pela noite. 

Depois do almoço voltam a desaparecer – afinal uns
estiveram a fazer dumplings, outros a cortar o cabelo das formas mais rid...
originais. 

Segue-se a fotoreportagem digna de uma revista do social!

 

À mesa connosco, o chefe, o responsável das comunicações,
alguns membros da equipa técnica, o médico e duas cientistas. Discursos,
discursos e podemos começar a comer, entre as iguarias contam-se caranguejo e
lagosta, entrecosto caramelizado, salmão, melancia, manga e ananás, uma
variedade de torresmos, salada de algas, um peixe cozido, mas também abalones,
estomago de porco, pepino do mar, salada de medusa e, tartaruga estufada!

 

 Seguem-se os brindes, e a as cerimónias de ofertas. Nós,
tal como os restantes membros das equipas técnica e científica, somos
presenteados com envelopes comemorativos da base e posamos com o chefe, ao
centro, o subchefe, à direita, e o responsavel pela manutenção.

 No entanto o grande entusiasmo da noite vai para uma
actividade em que o telemóvel é rei. Utilizam-no para um jogo em que algum
deles oferece dinheiro e o software reparte-o pelos primeiros a
clicar no ecrân... uma espécie de roleta digital que mobiliza toda a gente
quase toda a gente... nós não temos a aplicação!!!

A festa continua para algumas das mais carismáticas
personagens de Great Wall 2016: Lao Chang, Lao Pu e Lao Li e Xiao Xi! Lao Fu, o
veterano da base, membro da primeira expedição, já por ali passara também.

 Feliz Ano, Macaco!

 

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

TOPO

5 de Fevereiro de 2016

11 - Full house

O voo do dia 3 foi cancelado devido ao mau tempo e a segunda  tentativa, na madrugada do dia 4 foi abortada quando o aviao já vinha a caminho. Às 5 da manhã todos de volta à base, acompanhados de um 
contingente de coreanos que também iria no mesmo vôo.  O pequeno almoço está caótico, com cerca de 25 pessoas extra sentados no  pavilhao que passou a ser o novo refeitório. Olhando lá para fora é 
claro que não vai haver voo, as nuvens baixas não permitem a aterragem, e são distribuidos  mantas e colchoes. A viagem desde a base coreana tinha sido feita por volta das duas e meia da manha, meia 
hora em zodiac, estão cansados e não se sabe quando haverá vôo.  O edificio dos laboratórios passa a ser o novo dormitório e as salas que aqui vemos vazias ficaram cheias de camas de recurso.

Na Antárctica o clima é que mais ordena e há que saber esperar.

Durante a tarde, o Pedro Ferreira e o Joao Mata retribuem-nos a visita. Também eles estão na mesma situação e decidiram caminhar até  Great Wall. Fazemos-lhe uma visita aos vários pontos, mostramos-lhes 
os nossos peixes, e partilhamos um café no pavilhão que agora serve de  sala de refeições.


Mais uma hora de conversa e têm de partir que o tempo  piorou: um  vento frio e forte começa a soprar. Despedimo-nos sem muita convicção  pois não parece que possam sair da ilha tão cedo.


Mas, a meio da noite surge a indicação que o novo voo estava previsto  para as cinco da manhã. O vento é forte mas não haverá nuvens durante  um pequeno intervalo e o sol nasce por volta das três... despedimo-nos 
dos tailandeses, os nossos colegas de conversa em inglês, pois se tudo correr como previsto às tres e meia saem da base e já não os veremos  ao pequeno almoço. E assim foi! Boa Viagem.

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

TOPO

2 de Fevereiro de 2016

9 - Um dia de passeio por Fildes. Parte I

São seis e
meia da manhã e já temos tudo “orientado” no contentor – verificámos
níveis de oxigénio e temperaturas e renovámos a água nos tanques. Hoje a
base será visitiada por um grande grupo de turistas que viajam a bordo
de um cruzeiro e queremos ter o mínimo de interferêencias. Às sete e
meia é o pequeno almoço é às oito começa o desembarque. Nós aproveitamos
para fazer um dia de folga, caminhando desde Great Wall a Fildes e daí a
Artigas, a base Uruguaia que fica no sopé do glaciar Collins, que
limita a norte a zona livre de gelo da Peninsula de Fildes, a sul da
Ilha do Rei Jorge.

Pelo
estradão aberto nos seixos que cobrem as zonas costeiras da ilha ainda
encontramos alguns dos turistas do navio, mas poucos. Junto à estrada há
várias extensões sem neve e a água do degelo corre para o mar deixando
pequenos lagos rodeados de musgo em tons de verde e laranja. Depois de
cerca de 40 minutos chegamos à base Frei. Aqui, na Vila das Estrelas
existem as casas dos oficiais da Força Aérea Chilena e suas familias,
mas sobressaem também a capitania do porto de Fildes, que na realidade
é, por enquanto, apenas uma praia, e que é da responsabiliade da Armada,
e ainda a Base Cientifica de Escudero, do INACh, o Instituto Antártico
Chileno.

Mais
a norte, Belinghausen, a base russa famosa pela sua Igreja Ortodoxa no
topo de uma colina. Nesta zona a sensação de isolamento é muito menor.
Aliás, toda esta parte da ilha tem muito mais movimento que aquele que
conhecíamos em Arctowski, na Baía do Almirantado. Em Frei há vários
militares em tarefas de manutenção, assim como acontece com os russos de
Helinghausen, a reparar uma antena de comunicações. 
Na praia são
vários os zodiacs que chegam e partem, com turistas que chegam de um
cruzeiro para tomar o avião da DAP de volta a Puntarenas. 
E o próprio avião, que nos sobrevoa no processo de aterragem.

Seguimos
para norte, e começamos a subir a meseta. Entre duas colinas, perto de
uma enseada, vários depósitos gigantes de combustível , que aqui parecem
completamente fora de sítio e dão uma atmosfera de alguma decadencia,
isolamento e abandono.

Para
norte e para cima a estrada passa a estar coberta de neve e gelo e
entre estes muita água e lama... é facil ficarmos presos quase até ao
joelho se não escolhermos bem onde pomos os pés. Por outro lado sair da
estrada pode ser razão para sermos atacados por skuas em vôo rasante e
de patas em riste, que aqui têm os seus territórios de nidificação entre
rochas e liquenes e que não gostam de ser incomodados.

Mas
a vista que do topo se tem de Fildes é espetacular e compensa o esforço
da caminhada: navios, icebergues e pequenas ilhas, e ao longe, para o
sul, Great Wall e mais além o glaciar que cobre quase toda a ilha
Nelson.

É
neste caminho que encontramos o chefe da base Artigas, ou é ele que nos
encontra, vindo de Frei na sua Moto4, e convida-nos muito
simpaticamente para almoçar – a base é já ali depois do lago Uruguai,
diz-nos com um sorriso. Até já!

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

TOPO

10 - Um dia de passeio por Fildes. Parte II

Artigas é uma base de poucos edifícios numa grande área descoberta. 
Percebe-se que tem alguns anos e menos investimento que as restantes. 
No
entanto, apesar de modesta, parece muito bem organizada, e o principal
edifico de habitação tem uma pintura curiosa, com as cores do país. Ao
entrarmos no ”comedor”, o edifício que é ao mesmo tempo cozinha, sala de
refeições, sala de estar, sala de jogos e bar somos espetacularmente
bem recebidos. A sala é relativamente ampla, mas o revestimento de
madeira cria um ambiente acolhedor.

À
mesa, Prato! Talheres! Depois de duas semanas a comer de pauzinhos numa
tijela foi um bom exercício. Carne com legumes, sopa e sobresema, e
sumo de laranja recem-espremido- um luxo por estas paragens! Depois, 
dois dedos de conversa com o mais velho membro da expedição, que está na sua 32ª época seguida!!!!


Perto
de Artigas vamos até junto do Glaciar Collins. Ao invés do que acontece
na Baía do Almirantado aqui em Fildes não há propriamente glaciares e é
uma rara oportunidade vir até aqui e ver estas grandes 
paredes de gelo a debruçarem-se sobre o mar.

Um
grupo de pinguins de barbicha descansa sobre o galciar. Quando nos veem
ficam em alerta e começam a movimentar-se. Curiosamente parecem ser
comandados por um pinguim papua, um pouco maior, já que o seguem 
para todo o lado.

O
tempo urge e há que voltar. Até Great Wall são pelo menos uma hora e 
três quartos a caminhar. O tempo começa a fechar e ainda queremos parar
em Escudero para visitar a base e tentar encontrar o Pedro 
Ferreira e o João Mata, que iam fazer um corte no Sul mas deveriam estar por volta a meio da tarde.

De
caminho paramos na igreja ortodoxa russa e espreitamos. Lá dentro
vários icones num painel dourado. Muito interessante algo assim neste
canto do mundo. Juntam-se a nós um inglês, um neo-zelandes e uma 
francesa,
membros da tripulação do Australis, um veleiro que faz cruzeiros para
turistas entre Ushuaia e a Peninsula Antartica, e que está hoje fundeado
na Baía de Maxwell junto a Fildes.

Chegados
a Escudero conhecemos Jorge Gallardo, o responsavel pela base neste
turno, que nos convida a visitar a base. Entretanto chegam o  Pedro e o
João e sentamo-nos para um café, bolachas e uma amena 
conversa na
sala de estar de Escudero – e uma foto com a bandeira  nacional – é
sempre óptimo encontrar colegas portugueses e fala-se muito em pouco
tempo. Eles partem amanhã e estiveram a fazer as 
últimas explorações... nós ainda temos um mês por cá.

Estamos
em Great Wall à hora do jantar... de Fildes aqui gastámos 40 minutos
mas ganhámos uma hora...  já que passámos a barreira virtual  do fuso
horário imposto por Pequim. Connosco jantam militares do 
aeroporto
Teniente Marsh, responsáveis pelo controlo do vôo que amanhã levará pelo
menos vários chineses, dois tailandeses e dois portugueses.
Depois do jantar... algumas bebidas, blurred karaoke e... enfim...  what happens in Antarctica stays in Antarctica!

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

TOPO

31 Janeiro 2016

8- Viver em Great Wall... Parte II – Desporto e Lazer

 

 

É domingo. Mas isso aqui não quer dizer muito. Segundo os
nosso colegas chineses só há amanhã ou depois de amanhã. E isso reflecte-se na
actividade da base, não havendo um dia comum de descanso, parece que as folgas
vão por turnos. No entanto parece haver sempre algum tempo de lazer após as
refeições. Um dos aspectos interessantes de Great Wall é a existencia de um
pavilhão desportivo de dimensões consideráveis e ainda outro pequeno ginásio
com algumas máquinas e outras formas de desporto ou jogos. No entanto, ao
contrário das outras bases que conhecemos não existe propriamente uma sala de
estar comum onde se possa cofratenizar ou discutir ideias. E o local onde todos
se juntam é o refeitório.

 

No pavilhão joga-se basquete, futebol ou badmington. Este
último é um favorito dos asiáticos, mas o campeão local do momento é Siwatt, um
dos dois tailandeses que aqui fazem investigação desde o início de janeiro.
Enquanto treina para os campeonatos amadores da Tailandia dá-nos umas aulas e
acaba por ser uma boa forma de fazer exercício. 

Outros favoritos são o ténis de mesa, como não podia
deixar de ser, e o bilhar. Neste último o Bruno faz sucesso entre os chineses.

 

 

 

À mesa as dificuldades de linguagem inibem a conversação.
Dedicamo-nos a tentar perceber o que estamos a comer mas começamo-nos a
habituar ao menú e aos pauzinhos... as variedades culinárias ficarão para outro
relato. De vez em quando lá somo obrigados a provar mais uma aguardente de
arroz... parece que não acabam. CAMPEI! A verdade é que esta  forma de convivência já nos deu novos nomes:
Lao Pu e Lao Pei. 

Adivinhem quem é quem!

 

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

TOPO

30 Janeiro 2016

7 - Viver em Great Wall... Parte I – Maquinaria Pesada

A base chinesa é a maior da Ilha do Rei Jorge, com
edificos amplos e maquinaria pesada. Um dos orgulhos da base é a nova grua, que
permite movimentar os contentores. Como não existem outras em Fildes esta foi
solicitada para levantar o Hercules C-130 da Força Aérea Brasileira que está a
ser desmantelado na pista de Marsh.

 

Outra curiosidade é a existencia de um semi-reboque...
Algo que não esperávamos ver na Antárctica... e no entanto... parece que é aqui
qe se esconde Optimus Prime, o dos Transformers. Ou um Jipe de tracção às
quatro... lagartas!

 

No entanto, para nós, um dos mais impressionantes
veículos é uma mistura de limpa pistas e snowcat utilizado para transportar
cargas e passageiros entre Great Wall e Frei. Um verdadeiro taxi de lagartas,
com quase quatro metros de largura e que se chama Pisten Bully! Ei-lo aqui
junto ao snowcat vindo de Fildes.

 

Mas também há outros veículos mais costumeiros das nossas
latitutes. 

Great Wall está a cerca de 3 km da pista de aviação e o
parque automóvel “de verão” também não envergonha. Vários 4x4 em parada.

 

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

 

TOPO

28 de Janeiro 2016

6 - Contentor instalado e pesca feita. All systems go!

 

Na terça feira iniciámos a montagem dos tanques. Levamos
algum atraso e é necessário apressar o passo. As 12 caixas de arrumação, com
cerca de 150 litros cada, que adquirimos em Punta Arenas serão os nossos seis
tanques, com circulação em circuito fechado assegurada por uma bomba que eleva
a água da caixa inferior para a superior que depois cai por gravidade o que
ajuda a oxigenar a água, bastante saturada em O2 nestas temperaturas.

 

Os termostátos que nos construiu o Dr. Joâo Reis (muito
obrigado João) medem a temperatura e põem em marcha as resistências que serão
utilizadas para aquecer a água, enquanto que nos tanques controlo a temperatura
baixa é mantida pela passagem numa serpentina colocada dentro de água e gelo.
Sem acesso a uma camara refrigerada a 0⁰C, que se avariou antes da
nossa chegada, é preciso mais alguma imaginação para ter tudo a funcionar.

Nessa mesma tarde o zodiac está na água e parece boa
oportunidade para pescar. No entanto os sistemas ainda não estão cheios de
água. Assim, enquanto o Bruno e um grande contigente chinês vão à pesca, eu
fico a fazer exercício braçal para encher a balde, desde o cais, quatro tanques
a tempo de receber os peixes. Felizmente no dia seguinte pudemos calmamente
montar a bomba e renovar a água nos tanques passa a ser uma tarefa bem menos
complicada.

Indo directamente ao local definido, em cerca de uma hora
25 peixes são capturados e há que ser expeditos a trazê-los para terra e
colocados nos tanques. A bordo são mantidos em dois contentores com renovação
de água para manter a tempratura baixa e o oxigénio alto mas apenas é
suficiente para um certo número de animais. No contentor tudo a postos para os
receber e a mortalidade é zero.

 

Na tarde do dia seguinte há nova sessão de pesca. De
manhã alguns membros da base visitaram a base coreana de King Sejong e voltaram
perto da hora do almoço. O processo de colocar os barcos na água é aqui bem
mais complicado que aquele que conhecíamos na estação polaca de Arctowski. Aqui,
apesar da praia de fácil acesso e dos reboques, os zodiacs são levantados por
uma escavadora que os transporta para dentro de água, o que mobiliza mais meios
humanos e maquinaria e por isso de cada vez que os barcos estão na água há que
aproveitar.

 

Desta vez ambos vamos a bordo, mas a maioria da pesca
fica a cargo dos 

chineses, que o fazem com grande entusiasmo, excessivo
até.  

Aparentemente encontraram um novo hobby, o que nos serve
perfeitamente . Quase libertos dessa função podemos controlar se os animais vêm
em bom estado, retirando cuidadosamente os anzóis , mantendo a qualidade da
água e definindo o número de animais a pescar. Outros 25 peixes, que são
distribuídos pelos seis tanques e estamos prontos para iniciar o perído de
aclimatação às condições de cativeiro. No fim do dia todos querem visitar o
contentor e ver os peixes... um sucesso diplomático!

 

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

TOPO

 

25 Janeiro 2016

5 - Finalmente contentor no cais

No sábado à tarde saímos para uma sessão pesca de
“reconhecimento do terreno”, para averiguar os melhores locais na baía junto à
base de Great Wall, e que serviu também para convencer os nossos interlocutores
que a pesca de barco era a forma mais expedita de obter peixe em quantidade
para as nossas experiências.

 

 

Fizemos vários pontos entre a pequena Geologists Island,
uma pequena ilha rochosa frente à base, 
e a maior Ardeley Island, onde existe uma colónia de pinguins de
barbicha. Num dos pontos o cheiro a guano afectou claramente os nossos colegas
chineses e tivemos de regressar. 

No entanto a pesca foi um sucesso e encontrámos um “spot”
no lado nordeste da Geolosgists Islands onde pareceu fácil obter todas as
Notothenia rossii que vamos necessitar.

 

O entusiasmo entre os membros da base que foram pescar
era grande e talvez isso tenha contribuído para que finalmente ao fim do dia
fosse possível ter o contentor no cais.

 

No entanto no Domingo e Segunda feira o pouco que
conseguimos fazer foi transportar algum do equipamento para o interior do contentor. 

Ventos gelados de mais de 75  Km/h, acompanhados de neve, muita neve
impediram qualquer movimento na base e era demasiado perigoso transportar mais
materiais e trabalhar na instalação dos tanques. O pavimento do cais gelou e
corríamos o risco de caír à água.

 

 

Também o acesso ao exterior, físico ou virtual, através
da internet, foi severamente diminuído e o que pudemos fazer foi apreciar como
a paisagem se cobriu de branco, enquanto as estruturas eram fustigadas pela
tempestade.

 

Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

TOPO

 

24 de Janeiro - Epístola 4ª

Combinámos com o pessoal de Great Wall que na falta de camara frigorífica o melhor seria colocar um contentor de transporte, daqueles utilizados nos navios, mesmo sobre o cais para aí instalarmos os tanques. Assim, com a bomba elevatória e as mangueiras que comprámos em Punta Arenas poderemos obter água do mar à temperatura correcta sempre que for necessário, mantendo os grupos controlo o mais perto possível do meio natural e utilizar os termostatos e resistências para subir a temperatura nos grupos experimentais.
No entanto tem sido impossível ter o contentor instalado devido às outras actividades da base, e assim estamos algo atrasados em relação ao que havíamos planeado. Para além das contingências do clima, também os calendários das bases e das várias tarefas de manutenção a realizar no verão podem ser um problema, pois para estas experiências necessitamos de algum apoio, que nem sempre está disponível. E assim, sem tanques, também é irrelevante pescar, apesar dos vários "convites" feitos por alguns membros da equipa da base. Já foi até proposta uma competição de pesca, entre nós, os chineses e os tailandeses. Parece que ao menos há alguma motivação para colocar o barco na água mas a questão do atraso na instalação do espaço começa a ser preocupante. É sexta-feira e a previsão é de ventos fortes até segunda o que pode condicionar a utilização da grua.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aproveitámos o tempo para outras actividades como montar e testar algum equipamento no laboratório, monitorizar os parâmetros ambientais na água, escrever relatórios, ler e preparar estes relatos. No entanto a ligação com a internet não é das melhores, sobretudo quando o tempo está algo tempestuoso como hoje, e passamos algumas horas a tentar receber ou enviar emails ou encontrar informação online - Google e Facebook são off limits! Por outro lado a base tem cobertura para rede de telemóvel por uma operadora na China... mas o roaming é proibitivo para nós! Apenas emergências sff! Já as raparigas não largam o telemóvel, que ao menos serve de auxílio na tradução.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Também tentamos perceber o que fazem os vários cientistas chineses que estão na base. Concentram-se aqui várias áreas de investigação, como meteorologia, geologia, oceanografia e química do oceano, avaliação por satélite dos níveis de clorofila e produção primária, toxicologia de águas e sedimentos, microbiologia, etc. Há também que se dedique à produção de cartografia com fotos de alta resolução com recurso a drones, alguns bastante sofisticados e outros, mais simples, como uns aviões esculpidos em esferovite, cuja dificuldade é manter intactos na aterragem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A interacção à refeição ganhou um novo membro. Para além dos tailandeses também temos à mesa o chefe, mais reservado, e o médico da base, que é muito extrovertido, e passamos o tempo a traduzir entre inglês, chinês, português e espanhol. Uno Quatlo! Vamos a la playa!

Ontem após o jantar, fomos convidados para participar no inicio das actividades desportivas que irão marcar o Ano Novo Chinês no início de Fevereiro. Mais que um evento desportivo, foi uma forma de colocar praticamente todos os elementos da base na mesma sala, um pavilhão com marcas de badmington e cestos de basquetebol, para algum "team building" supervisionado pelo chefe da base. Acabou por ser um "concurso" de lançamentos ao cesto e outro de penáltis (com bola e sem copo) e depois um cada um por si com a bola!

TOPO

 

22 de Janeiro - Epístola 3ª

Ni hao!

Nestes dias Great Wall recebeu a visita de dois elementos de EcoNelson, uma pequena base na ilha Nelson, parte de um programa privado de sobrevivência e sustentabilidade (www.econelson.org), em que os voluntários são testados na sua resistência, física e psicológica, à adversidade da natureza e falta de socialização.
Estávamos no cais quando os vimos chegar, numa pequena jangada composta por dois flutuadores ligados entre si por uma estrutura de madeira e tecido aberta no fundo e propulsada por um motor de 4 cavalos e dois remos. Depois de todo o aparato e equipamento de segurança que é imposto, e bem, na exploração antárctica, ver alguém navegar, entre duas ilhas, vários quilómetros durante algumas horas, sobre água a 1-2 graus centígrados, em algo tão frágil, é desconcertante. Mas a jangada funciona, é fácil de transportar e até tem nome, Matilda!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos tripulantes, Jaroslaw Pavlíček, um checo especialista em sobrevivência, septuagenário, é o capitão e mentor da iniciativa, o outro Florian, alemão de 53 anos, residente na Áustria, alguém que encontrou nesta aventura a possibilidade de visitar a Antárctica e que passou os últimos dois meses como cobaia, numa pequena casa, utilizando enlatados, peixes e algas como alimento, materiais de limpeza sem químicos, madeira como combustível e recolhendo e contabilizando o lixo devolvido pelo oceano às praias da ilha!

O motivo da sua chegada a Fildes era encontrar forma de levar Florian de volta à América do Sul sem ter de desembolsar os cerca de 2750 dólares do voo comercial da DAP. A proximidade de um voo militar Uruguaio e a quantidade de navios ancorados na Baía abriam algumas expectativas para a travessia. De caminho, enquanto Florian procura transporte, Jaroslaw, ou Jada, vai mantendo contactos com as várias bases e tripulações que de alguma forma apoiam EcoNelson.
No dia seguinte voltámos a ver Florian, que sem opções se resignou a voar com a DAP, mas contente por ter tomado o primeiro duche em meses! Nós também, pois partilhámos algumas refeições com ele e o depois foi bem melhor que o antes. Mais tarde junta-se Jada e na Matilda vão visitar outro aventureiro.
Ao largo de Great Wall está o veleiro Issuma (www.issuma.com), uma embarcação de 15 metros que comandada pelo canadiano Richard Hudson, que desde 2008 percorreu o Atlântico, de França à Argentina e ao Canadá e que em 2012 atravessou a Passagem do Noroeste, algo possível devido à redução da extensão de gelo do Oceano Árctico. O veleiro foi construído há mais de 30 anos com especificações de casco para o gelo Antárctico e Hudson, cujo tio-avô fazia parte da expedição de Ernest Shackleton 1914-16, resolveu traze-lo ao seu ambiente recreando de alguma forma a viagem do Endurance. A tripulação conta com outros três tripulantes, uma americana e um casal de franceses que desceram a aosta do Chile, percorreram os meandros do Estreito de Magalhães e atravessaram o Drake. A paragem prende-se com a necessidade de obter água fresca antes de se dirigirem à Peninsula Antárctica e depois a Elephant Island. Talvez o façam em Arctowski. Mandamos cumprimentos!

 

19 de Janeiro - Epístola 2ª

De manhã temos uma reunião com o responsável pela integração dos cientistas estrangeiros na base, na qual explicamos o que queremos fazer e que apoio será necessário. Para além de saírmos para pescar, vamos necessitar de manter peixes vivos, à temperatura da água do mar, que neste momento, medida no cais da base, varia entre 1.6 e 2 graus centígrados. Infelizmente a camara frigorífica da base está avariada e precisamos de alguma imaginação. Fazemos uma visita a vários pontos e fica acordado que as várias opções possíveis serão estudadas. Alguns cientistas chineses também utilizam peixes como modelos experimentais, mas para os seus estudos não precisam de animais vivos o que facilita a logística. Quase todos os peixes que conseguimos encontrar nesta regiãosão genericamente chamados bacalhau Antártico, apesar de nada terem que ver com bacalhaus. Um dos dois tailandeses que aqui estão, os únicos não chineses para além de nós, também usa peixes, que obtém pescando entre as rochas na maré baixa. Mas estes são sobretudo Notothenia coriiceps, o Bullhead rockcod, uma espécie que os brasileiros chamam de cabeçuda, em contraste com o peixe que nós queremos, a Notothenia rossii, ou Marbled rockcod, mais elegante mas também mais difícil de capturar a partir de terra, pelo que iremos necessitar de sair em barco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após o almoço, e a luta para utilizar os pauzinhos de forma mais ou menos (mais menos) correcta, saímos para verificar a zona de costa circundante, onde foram capturados os peixes. Rapidamente percebemos que sem acesso para veículos é praticamente impossível transportar os animais vivos até aos tanques, mesmo que os pudéssemos pescar naqueles pontos a cerca de 500 metros da base - confirma-se que o barco é sem dúvida a melhor opção, como já ocorrera em Arctowski. Ao contrário do que acontecia nas costas da Baia do Almirantado, não encontramos qualquer mamífero na praia - nada de elefantes-marinhos ou leões-marinhos, e apenas alguns pinguins de barbicha isolados que nos cumprimentam. Aparentemente as colónias de pinguins nesta zona localizam-se todas na Ilha Ardley, aqui relativamente perto, mas zona de acesso restrito.

Na costa vemos gaivotas, algo nada comum em Arctowski, e um pouco mais para o interior encontramos vários casais de skuas em nidificação nas colinas cobertas de líquenes. Ao longe já podemos avistar a Ilha Nelson, e também alguns Petréis-gigantes que voam em redor dos ilhotes de Half Three Point, outra zona protegida na ponta sul da Baía de Fildes. Aqui no interior ainda há bastante neve - tem sido especialmente abundante este ano, segundo dizem, mas a vista para a baía é espectacular, com o mar coberto de icebergs de todos os tamanhos e formas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De volta a Great Wall decidimos dar uso ao material de pesca. Com um pouco de carne de porco cedida pelo cozinheiro fazemos algumas tentativas lançando os anzóis para o mais longe possível da costa. Ao fim de algum tempo, e já prestes a desistir, decidimos pescar mesmo junto ao cais, e voilá - uma cabeçuda de mais de meio quilo, que depois de devidamente documentada fotograficamente é devolvida à água. Ainda sem tanques não se justifica mantê-la, mas mesmo assim fazemos sucesso à hora do jantar.

 

 

 

 

 

 

 

TOPO

17 de Janeiro - Epístola 1ª

A campanha do projecto FISHWARM III chega finalmente à Antarctica depois de alguns meses de preparação e atribulação com a grande quantidade de bagagens. Graças à Ana Salomé David e à Teresa Cabrita, foi possível trazermos todo o equipamento connosco. Obrigado!
A 17 de Janeiro, cerca da uma da tarde, hora chilena, o voo DAP do Programa Polar Português aterra na pista de gravilha do aeródromo Teniente Marsh na Ilha do Rei Jorge. Nele vinham oito cientistas portugueses, mas também chilenos, brasileiros, búlgaros, italianos e espanhóis.
À chegada trocam-se cumprimentos e tiram-se as fotografias da praxe enquanto as bagagens são descarregadas. Aqui tal como em qualquer low cost - que não é pois até tivems direito ao almoço - caminha-se até ao edifício do aeródromo e enquanto alguns não vêem a hora de chegar, outros, como a nossa Miss Propolar, aproveitam para trazer as novidades da moda Antártica a estas paragens, calmamente desfilando pela passerelle que às vezes faz de pista, roubando as atenções ao Hercules C-130 da Força Aérea brasileira que está a ser desmantelado após um acidente na aterragem num dia de tempestade.

 

 

 

 

 

 

 

À nossa espera estão vários membros da 32ª CHINARE, a Expedição de Investigação Antarctica Chinesa, incluindo o chefe da base Great Wall, onde iremos ficar alojados nos próximos cerca de 45 dias, enquanto prosseguimos as nossas experiências na fisiologia dos peixes antárcticos, na continuação das campanhas FISHWARM I e FISHWARM II, realizadas em 2012 e 2013 na estação Henryk Arctowski, noutra zona da Ilha. 

As bagagens são descarregadas na praia onde membros da tripulação do navio oceanográfico espanhol Hesperides esperam para levar a bordo os cientistas que se deslocam para as outras ilhas do arquipélago das Shetland do Sul. A baía está cheia de icebergs, alguns tão grandes que poderiam ocupar facilmente vários quarteirões numa cidade e fazem com que os navios, alguns com cerca de 50 metros de comprido pareçam apenas pequenos pontos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nós ficamos aqui perto, e carregamos tudo em três veículos para seguirmos para Great Wall, a 2.5Km de distância do aeródromo, na zona sueste da Península de Fildes. A base Chinesa foi inaugurada em 1985 numa pequena área perto do mar, mas desde então já sofreu uma grande remodelação, com mais construção e expansão para zonas mais elevadas, e os edifícios principais, como o refeitório e zona de lazer, os dormitórios, o gerador e sobretudo os laboratórios são novos, espaçosos, confortáveis e bem equipados. Hoje é, a par da base da Coreia do Sul, uma das mais bem apetrechadas da ilha. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu e o Bruno partilhamos um quarto no edifício habitacional. No entanto os chuveiros para os duches encontram-se noutro edifício, o que torna a rotina matinal um pouco mais complicada. Connosco são 41 os habitantes da base, de ambos os sexos, e por isso existem regras e horários para o uso das zonas comuns. Também as refeições, às 7.30, 12 e 18 horas, hora chinesa - sim, porque em Great Wall é uma hora menos que nas restantes bases da ilha e assim 12 horas menos que Pequim - obedecem a alguns preceitos: os lugares à são marcados, os utensílios também são sempre os mesmos e mantidos limpos sobre a mesa. As senhoras têm a sua própria mesa. Já quanto a fumar as regras são bem mais difusas... e parece ser permitido em todas as áreas comuns. Infelizmente poucos falam inglês e a tradução nem sempre é fácil. Mesmo aqui na Antárctica, o choque de culturas pode ser grande.

TOPO

01.02.2016 (em constante atualização)