Cláudio Brandão tem uma ligação profunda ao oceano, tanto a nível profissional como pessoal. Após ter trabalhado no CCMAR há cerca de uma década, regressa agora, enquanto conclui o seu doutoramento acerca de ecologia, diversidade e abundância dos organismos simbióticos dos corais da Grande Barreira de Coral. Com experiência em mergulho, pesca submarina sustentável e fotografia subaquática, Cláudio junta-se agora ao grupo de Fisheries, Biodiversity and Conservation para trabalhar no projeto Marine Guardian. Neste projeto, colaborará com pescadores locais com vista a reduzir as capturas acidentais de espécies em perigo e a promover ecossistemas costeiros mais saudáveis.
Conta-nos um pouco do trabalho que irás realizar no CCMAR
O meu trabalho no CCMAR consiste em colaborar com pescadores artesanais locais, nomeadamente os que utilizam a arte xávega, ou seja, redes de cerco de praia, para avaliar as capturas acessórias de espécies ameaçadas, em particular cetáceos como o golfinho comum e a toninha-comum. Em colaboração com os pescadores, estamos a testar e a implementar medidas de mitigação para ajudar a proteger estas espécies fundamentais e a promover ecossistemas costeiros sustentáveis.
O que mais gostas de fazer fora do trabalho?
Nos meus tempos livres, adoro estar no mar, especialmente a praticar pesca submarina de forma seletiva e sustentável. Gosto de todo o processo, desde a captura responsável até à partilha de excelentes refeições com a família e os amigos. Também sou apaixonado por fotografia, em particular por fotografia macro subaquática, e tive a oportunidade de expor algumas das minhas fotografias em eventos organizados pela Universidade de Aveiro. Em suma, sou mais feliz quando estou rodeado pelo mar e pela natureza.
O que fazias antes de te juntares a nós?
Antes de regressar ao CCMAR, estava a realizar o meu doutoramento em colaboração entre a Universidade de Aveiro e a Universidade de Tecnologia de Sydney, onde estudei a diversidade e a ecologia das Symbiodiniaceae, isto é, microalgas que vivem em simbiose com os corais, mantendo o foco na Ilha dos Lagartos. A minha investigação centrou-se no papel destas microalgas no nicho endolítico, um habitat anteriormente pouco conhecido. Para esse efeito, realizei várias viagens de campo à Austrália e à Grande Barreira de Coral, que me permitiram aprofundar a minha compreensão dos ecossistemas marinhos e da sua complexidade ecológica.




