A estação oceânica IbMa-CSV, localizada a cerca de 10 milhas náuticas a sul do Cabo de São Vicente, foi recentemente atualizada com uma matriz acústica composta por cinco hidrofones. Esta nova infraestrutura permitirá caracterizar as paisagens sonoras do oceano, monitorizar o ruído submarino provocado pela atividade humana e melhorar a deteção e localização de cetáceos numa das zonas mais ricas em biodiversidade marinha da Europa.
Esta atualização dá continuidade ao trabalho iniciado em maio de 2025, quando a IbMa-CSV foi novamente fundeada ao largo de Sagres. Nessa operação, coordenada pelo CCMAR e pelo IPMA, foi assegurada a manutenção e o funcionamento contínuo da estação, reforçando a sua relevância como ponto estratégico de observação oceânica.
Uma nova dimensão para a investigação
A adição dos hidrofones vem complementar a instrumentação já existente na estação, que inclui um perfilador vertical acionado pelas ondas (Wirewalker), um correntómetro acústico (ADCP) e landers multi-instrumentados. Esta infraestrutura de excelência já fornece dados contínuos sobre correntes, temperatura, salinidade, oxigénio dissolvido, turbidez e clorofila.
Com a nova componente acústica, será possível:
- Detetar e acompanhar cetáceos de forma mais precisa;
- Monitorizar o ruído produzido pelo tráfego marítimo, uma das principais pressões sobre os ecossistemas marinhos;
- Avaliar a saúde dos ecossistemas através do estudo das paisagens sonoras submarinas.
Impacto europeu
A IbMa-CSV integra o EMSO-ERIC (European Multidisciplinary Seafloor and water column Observatory), rede pan-europeia de observatórios marinhos que contribui para a investigação sobre alterações climáticas, biodiversidade e riscos naturais.
A evolução desta estação reforça o papel de Portugal no desenvolvimento de ciência marinha de vanguarda e no contributo para a conservação dos ecossistemas do Atlântico.




