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No data, no action

“Sem dados, não há ação.” É esta a mensagem central do novo manifesto internacional lançado a 7 de junho, dois dias antes do arranque da Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (UNOC 2025).

O manifesto foi apresentado no âmbito do encontro anual da Partnership for Observation of the Global Ocean (POGO) — uma rede que junta quase 60 das principais instituições de investigação marinha do mundo, da qual o CCMAR faz parte — e alerta para a necessidade urgente de reforçar o investimento global em observações oceânicas sustentadas e coordenadas.

"A Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano chama a atenção, com razão, para toda a gama de pressões sobre os oceanos — alterações climáticas, perda de biodiversidade, poluição marinha, eutrofização, desoxigenação, acidificação dos oceanos — e para os instrumentos jurídicos que estão a ser utilizados para lidar com elas. Mas destacar os problemas e elaborar soluções jurídicas é apenas o começo. O sucesso desses instrumentos depende da nossa capacidade de acompanhar o estado dos oceanos e detetar mudanças ao longo do tempo.”

Apesar dos avanços no campo das observações físicas do oceano (como temperatura, salinidade e correntes), as observações biológicas e químicas continuam a ser escassas e subfinanciadas. Esta falta de dados compromete a capacidade de atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS14) – “Proteger a Vida Marinha” – e de acompanhar o progresso de compromissos internacionais como o Acordo de Paris, o Quadro Global para a Biodiversidade de Kunming-Montreal, o Acordo BBNJ e outras iniciativas globais.

Uma monitorização sustentada dos oceanos gera dados imprescindíveis para que sejam elaborados planos nacionais fundamentados que protejam as comunidades, a vida marinha e as infraestruturas contra o risco crescente das alterações climáticas.

A assinatura do manifesto pelo Presidente do CCMAR, Adelino Canário, reforça a excelência do centro e o seu compromisso com processos de tomada de decisão fundamentados em dados científicos.

“As observações oceânicas não são opcionais. Elas são a espinha dorsal de ações baseadas em evidências sobre clima, biodiversidade, resiliência a desastres e, em última análise, desenvolvimento sustentável. O momento de investir nelas é agora, para que nenhuma parte do oceano global, ou das comunidades que dele dependem, seja deixada para trás.”

"No Data, No Action", manifesto da POGO