Carolina Schilling, Catarina Marreiros e João Monteiro, estudantes de doutoramento do CCMAR, propuseram-se ao desafio de apresentar a sua tese para a comunidade em 3 minutos. Os três estudantes passaram à final e participaram na apresentação pública que ocorreu este sábado, dia 11 de maio.
Um concurso criado com o objetivo de promover a comunicação de ciência e capacitar doutorandos e cientistas, deixou marcas significativas no percurso dos nossos investigadores. Todos enfatizam a relevância destas apresentações à comunidade, tanto para disseminar o seu conhecimento como para melhorar as suas capacidades de comunicação. Por fim, destacam a importância da comunicação de ciência e aconselham os seus colegas a participar em futuras edições.
Veja abaixo as incríveis apresentações dos três investigadores e as suas impressões sobre esta experiência.
Carolina Schilling: “Até os tubarões foram outrora jovens: descoberta de zonas de maternidade de tubarões-martelo na Mauritânia”
Carolina explica como o tubarão-martelo, uma espécie criticamente ameaçada que não recebe cuidados parentais, procura águas pouco profundas e protegidas quando é juvenil, locais dos quais os biólogos chamam de maternidades.
Os tubarões desempenham um papel importante na manutenção do equilíbrio das populações no ecossistema, razão pela qual Carolina trabalhou diretamente com os pescadores da Mauritânia para encontrar estes locais que servem de maternidades. Ao ter esta informação, a investigadora poderá delinear recomendações de gestão destas áreas, garantindo o crescimento e a reprodução dos juvenis, bem como o futuro da espécie.
"Na maioria das vezes, resumir o nosso trabalho em tão pouco tempo é uma tarefa difícil para nós, cientistas, especialmente sem utilizar o vocabulário técnico a que estamos habituados, porque sentimos que isso conduz a uma falta de exatidão ou a uma simplificação excessiva da ciência subjacente. Para isso, tive de aprender não só a simplificar e a filtrar todos os pormenores desnecessários, mas também a torná-los interessantes e relacionáveis com alguém que não sabe nada sobre biologia marinha."
Catarina Marreiros: “Previsão do risco de doenças cardiovasculares. Proteína rica em gla (GRP): uma peça em falta no puzzle”
Catarina aborda o peso que as doenças cardiovasculares têm na sociedade e como estas doenças são, muitas vezes, detetadas demasiado tarde. Para os médicos é difícil estabelecer um diagnóstico preciso, sem perceber o que está a acontecer dentro das nossas células sanguíneas – o que Catarina traduz como tentar resolver um puzzle sem ter todas as peças.
No seu doutoramento, Catarina descobre a última peça do puzzle: a deteção de uma proteína rica em gla (GRP). Os seus testes mostraram que níveis baixos desta proteína estão relacionados com danos presentes nas células sanguíneas. Assim, a investigadora quer mostrar aos médicos as vantagens da proteína GRP, para que eles possam recomendar análises ao sangue que avaliem os seus níveis, usando o teste como uma ferramenta para identificar pessoas com predisposição a problemas cardiovasculares.
"Vi este concurso como uma oportunidade única para expor o meu trabalho a um público mais amplo e diversificado dentro da comunidade académica da Universidade do Algarve. Aprendi uma série de lições valiosas. A primeira foi a importância de comunicar de forma clara e concisa os resultados da minha investigação. Adaptar a linguagem técnica para torná-la acessível a um público não especializado. Além disso, o feedback dos avaliadores e as apresentações dos outros finalistas proporcionaram-me uma oportunidade única para aprender com os meus colegas e refinar as minhas habilidades de comunicação."
João Monteiro: “A Extinção da Pesca do Caranguejo”
João Monteiro explica-nos o seu estudo sobre a pesca do caranguejo através da perspetiva do Sr. António, um pescador reformado com baixas pensões. Devido às leis em Portugal, o Sr. António é obrigado a descartar mais de metade as suas capturas diariamente, o que diminui bastante o seu rendimento e o interesse de outros neste tipo de pesca.
No seu doutoramento, uma das conclusões que João retira é que o tamanho mínimo da pesca do caranguejo poderia ser reduzido para quase metade sem afetar o futuro desta espécie, o que permitia ao Sr. António não ter de devolver tantos caranguejos, duplicando o seu rendimento. Assim, evidenciando a necessidade de atualizar a legislação da pesca do caranguejo em Portugal.
"Recomendo vivamente a participação de todos os alunos de doutoramento do CCMAR a realizar este tipo de atividades, pois desafia-te a pensar fora da caixa e a melhor as tuas capacidades de comunicação em público. Foi desafiante tentar resumir mais de 4 anos de trabalho em apenas 3 minutos e, para além disso, tentar construir uma história em torno do meu projeto de forma que fosse cativante para as pessoas fora da área das pescas e/ou ciências naturais."
Apresentações finais
Carolina Schilling: 28:15
Catarina Marreiros: 32:10
João Monteiro: 1:16:35




