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Um novo estudo que incidiu sobre as comunidades de pequenos organismos marinhos que se agarram ao casco dos navios e às rochas (bio-incrustações) mostra como é que estes se adaptam à acidificação dos oceanos.

Um novo estudo que incidiu sobre as comunidades de
pequenos  organismos marinhos que se
agarram ao casco dos navios e às rochas (bio-incrustações) mostra como é que
estes se adaptam à acidificação dos oceanos.

O estudo foi realizado no Centro de Ciências do Mar
(CCMAR) Algarve, numa colaboração com  investigadores do British Antarctic Survey (BAS),
Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)
e Universidade
de Cambridge, tendo sido publicado na revista Global Change Biology. Os
investigadores avaliaram a resposta das comunidades das bio-incrustrações a previsíveis
alterações futuras no pH da água dos oceanos
.

Esta foi a primeira investigação sobre este tema, tendo-se
permitido que mais de 10 mil animais (ascídeas, minhocas com tubos calcários,
esponjas, etc.) da Ria Formosa colonizassem as superfícies de seis tanques. Em
metade destes tanques a água salgada apresentava um pH idêntico ao ambiente normal
na Ria Formosa (pH 7,9) e na outra metade fez-se aumentar a acidez em 0,3
unidades (pH 7,7), de acordo com as previsões para os próximos 50 anos do Painel
Intergovernmental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC).

Após cem dias de experiência, o número de animais com estruturas calcárias,
como as referidas minhocas, tiveram uma redução drástica do seu número para um
quinto do original, ao passo que o nnúmero de indivíduos das esponjas e ascídeas
aumentaram para enrtre o dobro e o quádruplo.

O investigador Lloyd Peck do British Antarctic Survey, que liderou o
estudo, referiu: "a experiência mostrou que a comunidade de animais das
bio-incrustações responde rapidamente a alterações na acidez da água, e, simultaneamente,
permitiu verificar como estas comunidades podem ser impactadas pela
acidificação dos oceanos, e a que as indústrias fustigadas pelas
bio-incrustações vão ter de responder".

A investigadora Deborah Power, do CCMAR, uma das co-autoras do estudo acrescentou
acrescenta: "Tendo em consideração a importância da Ria Formosa como um Parque Natural,
a modificação nas comunidades provocada pelo aumento da acidez, enquanto que
potencialmente reduzindo bio-incrustações, irá seguramente afetar a
produtividade e possivelmente a biodiversidade do Sistema lagunar".

A comunidade de organismos das bio-incrustações é composta por várias
espécies de pequenos animais e afeta muitas indústrias, incluindo a construção
subaquática, estações de dessalinização e os cascos dos navios. A remoção
destes organismos envolve custos muito elevados, estimados em cerca de 20 mil
milhões de euros por ano, em todo o mundo. 

 

 

 

Faro, 02 de fevereiro de 2015

 

Fotos: Créditos CCMAR

 

Para mais informações contactar:
Departamento de Comunicação
Andreia Pinto

Email: aspinto@ualg.pt
Tlf: +351 289 800 050
Tlm: 913794995

 

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02.02.2015