A distribuição dos animais que vivem nos oceanos continua por explicar, bem como os mecanismos a ela associados. Um estudo de metagenética ambiental conduzido por uma equipa internacional de investigadores e assinado por Vera Fonseca, investigadora do CCMAR, vem agora demonstrar que os padrões de distribuição entre micro e macroorganismos são similares.
Vera Fonseca é a autora principal do estudo e explica a importância do mesmo: "os organismos mais pequenos são aos milhares e não se sabe ao certo se estes têm padrões de distribuição definidos como os grandes animais. Este estudo vem comprovar que de facto os animais mais pequenos estão por todo o lado. No entanto, quase 40% das espécies que habitam o meiobentos são residentes e restritos a determinados habitats".
Face às constantes mudanças ambientais que enfrentamos é muito importante perceber a ecologia e os padrões de adaptação de comunidades locais que existem ao longo das zonas costeiras, uma vez que são de elevada importância sócio-económica e vitais para o funcionamento dos ecossistemas marinhos, explica a autora, que atualmente lidera a secção de Genómica Ambiental, no Museu Alexander Koenig em Bona, Alemanha.
O estudo agora publicado na Global Ecology and Biogeography, "veio uma vez mais salientar a importância da metagenética ambiental marinha a nível mundial, no sentido em que permite interligar a biodiversidade a respostas e/ou alterações ambientais e, a longo prazo, avaliar até que ponto a biodiversidade reflete a saúde e a produtividade dos ecossistemas marinhos", salienta Deborah Power, Professora da Universidade do Algarve e investigadora no CCMAR, que colaborou neste estudo.
O artigo publicado pode agora ser consultado aqui: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/geb.12223/abstract.
01.10.2014