Estudar e monitorizar os efeitos das mudanças climáticas em espécies europeias de bivalves. É este o ambicioso objetivo do projeto CACHE, que durante quatro anos procurará respostas que possam vir ajudar a indústria a mitigar os seus efeitos ou a tirar vantagens das alterações climáticas. O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) é o único parceiro nacional deste projeto, em fase de arranque.
O aumento da temperatura e a acidificação dos oceanos resultante das alterações climáticas podem comprometer o futuro de algumas espécies vitais para a economia europeia e para a preservação da biodiversidade marinha.
Atualmente os cientistas ainda não sabem na totalidade como é que os bivalves (ostras, mexilhões, vieiras e amêijoas) produzem as suas conchas, ou como é que as mudanças no ambiente afetarão as suas populações. Para investigar esta questão a Comissão Europeia financia o programa CACHE (Cálcio num Ambiente em Mudança) com um orçamento de 3,6 milhões de euros.
A indústria de bivalves fornece um importante contributo para a economia marítima europeia, movimentando cerca de 500 mil milhões de euros anuais e dando emprego a 5,4 milhões de pessoas.
Além disso, estes animais desempenham um papel importante nos oceanos como componentes da biodiversidade marinha e na absorção do dióxido de carbono, um dos gases de efeito estufa, uma vez que a sua estrutura da concha é feita com carbonato de cálcio.
É precisamente a composição da concha que torna estas espécies mais vulneráveis às alterações climáticas, dado que o carbonato de cálcio é uma substância que se dissolve no meio ácido, resultante do excesso de dióxido de carbono. À medida que a água dos oceanos acidifica as estruturas das conchas poderão dissolver-se e ficar mais finas. Se tal suceder, os animais poderão ter que despender mais energia na produção de cascas mais grossas, crescendo menos e produzindo carne de melhor qualidade, com consequências negativas na economia pesqueira e no produto disponível para o consumidor.
A forma como as espécies produzem a concha é também relevante para a indústria da biotecnologia, que está particularmente interessada em perceber como é que um composto solúvel como o cálcio pode ser transformado de forma eficiente numa estrutura tão robusta.
O CACHE visa igualmente a formação de uma nova geração de cientistas marinhos em ligação com a indústria, sendo que o processo de recrutamento de candidatos a doutoramento e pós-doutoramento se encontra aberto até 12 de janeiro de 2014.
O projeto é coordenado pelo British Antarctic Survey, em Cambridge, e o Centro de Ciências do Mar (CCMAR) é o único parceiro português envolvido.
Faro, 09 de dezembro de 2013
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Para mais informações contactar:
Departamento de Comunicação
Andreia Pinto
Email: aspinto@ualg.pt
Tlf: +351 289 800 050
Tlm: 913794995
Informação sobre o Projeto CACHE
A CACHE é uma rede de Formação Inicial Marie Curie (ITN) de 3,6 milhões de Euros, financiada pelo Programa "People" (Ações Marie Curie) do Sétimo Programa-Quadro FP7/2007-2013 da União Europeia / sob REA Grant No. [ 605051 ] 13.
O projeto reúne 10 parceiros de seis países europeus e inclui três PME's e uma empresa de consultoria de aquacultura de bivalves. Com início no final de 2013, terá a duração de quatro anos.
O objetivo é oferecer formação a 10 jovens investigadores, ao nível do doutoramento, e de 4 em estádio inicial de pós-doutoramento.
Os parceiros da rede CACHE são: The British Antarctic Survey , Universidade de Gotemburgo, Universidade de Edimburgo, Museu Nacional d' Histoire Naturelle de Paris, Universidade de Bielefeld, Universidade de Cambridge, a Associação Escocesa de Ciências Marinhas (SAMS), Greenloop, Centro de Ciências do Mar (CCMAR), GEOMAR Helmholtz Centre for Ocean Research. Os parceiros associados são: Associação escocesa de produtores de marisco, Ostrea Sverige AB e CRM Coastal Research and Management.
Um dos principais eixos de ação do projeto é ajudar os jovens cientistas a desenvolver as suas carreiras através do contacto entre instituições de investigação e o mundo da indústria, bem como a criação de um precedente inovador para este tipo de enquadramento que mistura o ambiente académico com o empresarial.
Para mais informações, visite: http://www.cache-itn.eu.
09.12.2013