Um estudo publicado esta semana revela que o aumento da temperatura do oceano provocará alterações nos ciclos globais de dióxido de carbono, azoto e fósforo. O estudo contou com a participação de Gareth Pearson, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR).
A descoberta publicada esta semana na revista Nature Climate Change revela que a temperatura da água tem um impacto direto no plâncton dos oceanos, modificando as suas necessidades de nutrientes e provocando assim alterações nos ciclos globais de nutrientes.
O plâncton desempenha um papel importante no ciclo de carbono, uma vez que remove metade do CO2 da atmosfera durante a fotossíntese, armazenando-o no fundo do mar e isolando-o da atmosfera durante séculos.
Esta investigação mostra que o aquecimento dos oceanos irá afetar a utilização de recursos pelo plâncton, o que, por sua vez, terá consequências nos ciclos biogeoquímicos do planeta, levando a um ciclo vicioso nas alterações climáticas.
A pesquisa foi levada a cabo por uma equipa multidisciplinar, que integra cientistas da Escola de Ciências Ambientais e da Escola de Ciências da Computação da University of East Anglia (UEA) que focaram a sua investigação no fitoplâncton - organismos microscópicos semelhantes a plantas que dependem da fotossíntese para se reproduzir e crescer.
O fitoplâncton, composto de micro-algas, é responsável pela remoção de metade do dióxido de carbono da atmosfera, segundo explica Thomas Mock, o investigador da UEA que conduziu esta investigação, acrescentando que "tal como é vital para o controlo do clima, também cria oxigénio suficiente para a nossa respiração, e forma a base da cadeia alimentar para a pesca, por isso é extremamente importante para a segurança alimentar".
O estudo agora publicado revela que a temperatura desempenha um papel fundamental no balanço químico do fitoplâncton, fazendo este necessitar de mais azoto relativamente a fósforo, porque funcionam com menos ribossomas. O fitoplâncton terá o seu desenvolvimento controlado pela disponibilidade de azoto e esta limitação reduzirá assim a sua capacidade de remover CO2 da atmosfera.
A conclusão a que os cientistas chegaram foi possível, em parte, graças ao desenvolvimento de um modelo computacional que criou um ecossistema global que tem em conta as temperaturas globais do oceano, 1,5 milhões de sequências de DNA de plâncton, e outros dados bioquímicos.
O artigo, "The impact of temperature on marine phytoplankton resource allocation and metabolism", contou ainda com a colaboração de investigadores de outras instituições. No Centro de Ciências do Mar (Gareth A. Pearson), o trabalho foi financiado pelo projeto Arctic Tipping Points (ATP), do 7º Programa quadro da UE.
Mais informações sobre o projeto em: http://www.eu-atp.org/
Faro, 09 de setembro de 2013
Créditos da Foto: © Gareth Pearson (CCMAR)
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09.09.2013