Pedro Guerreiro e Bruno Louro estão a caminho da Antártica, no âmbito do projeto Fishwarm. Acompanhe a viagem aqui, no site do CCMAR.
Veja a galeria de fotos completa e atualizada no nosso Facebook
Punta Arenas
28/03/2013
GOODBYE ARCTOWSKI, HELLO PUNTA ARENAS
Adeus Antártica. Eis-nos finalmente em Punta Arenas. Mais
uma vez o clima mostrou quem manda e que os melhores planos devem obedecer aos
seus caprichos. O avião que nos devia recolher em Fildes a 26, um Hercules
C-130 da Força Aérea Brasileira, esteve lá, mas o tecto de nuvens baixas
impediu que pudesse aterrar em segurança e teve de voltar a Punta Arenas. Assim
acabámos por ter de passar a noite no Ary Rongel, que apesar de lotado com os
militares, técnicos e cientistas que estiveram nos últimos meses em Ferraz,
ainda nos permitiu a todos uma noite confortável após um corropio de
reajustamento da ocupação dos camarotes. No dia seguinte o céu abriu e a
aterragem do Hércules pode finalmente acontecer. Aí foram as condicionantes
humanas a impedir a viagem imediata. No voo viajou uma comitiva de altas
patentes da marinha que tinha por destino uma
“cimeira” em Ferraz e que deveria voltar no mesmo avião. Por isso a
partida esteve sempre em aberto.
Às 11, depois de um almoço antecipado a bordo, o Cmdt.
Seabra decidiu levar carga e passageiros para terra. Em Frei, a base da força
aérea chilena que dá apoio ao aerodromo, encontrámos os passageiros que estavam
no navio Almirante Maximiliano, o outro navio oceanográfico do brasil que faz
investigação na Antartica. Todos à espera de partir, todos sem certezas do que
iria acontecer. Finalmente foi-nos dito que o voo seria para depois das 16.
Este intervalo de tempo permitiu que esticassemos as pernas num passeio por
pelas areas das bases Escudero, chilena, e Bellinghausen, russa, com a sua
igreja ortodoxa. O nevoeiro intensificou-se mas partir das 15 começaram
lentamente os movimentos em direcção ao avião, onde a refeição de voo foi
servida... em terra!
Mais algum tempo de espera até que a confirmação chegou:
os helicópteros não conseguem trazer a comitiva e o aerodromo fecha dentro de
uma hora. Vamos partir e são 19.00.
A bordo, cada um utiliza o seu proprio sistema de
entretenimento. O portatil, o tablet ou o smartphone, mas também para os menos
tecnológicos, os livros de passatempos ou a conversa com o parceiro do lado,
dificultada pelo ruido dentro do avião. Todos estão cansados e alguns dormem. O
Hércules não é propriamente luxuoso, praticamente sem janelas, com quatro filas
de bancos dispostas longitudinalmente, alguns sem almofada, e com carga pelo
meio, mas com excepção do frio, a viagem foi tranquila e confortavel, e às
21.40 aterrámos suavemente em Punta Arenas e agradecemos ao Programa Antártico
Brasileiro.
Tinhamos sido recolhidos em Arctowski ao meio-dia de 26.
Ao fim de dois meses, em que partilhamos todas as refeições, muitos serões e
algumas preocupações, já aprendemos a
conhecer e a gostar dos membros da base. A responsabilidade do cozinheiro nos
quilitos extra, as fãs do trash metal e nossas interlocutoras previlegiadas, o
viciado em Nutela e super animador social, as conversas de sabado à noite em
polaco com veterano de vinte e cinco anos de Antartica, os “Kurwa!!!”
do chefe quando algo corria menos bem, as neuras do
mecanico e a falta de tabaco, etc, etc. Por isso as despedidas são difícies,
sobretudo quando sabemos que a probabilidade de os voltarmos a ver é remota.
Para eles, a nossa partida marca também o fim da época de
investigação, e não esperam mais “hóspedes” até à sua rendição em finais de
Outubro. Dentro de dias serão apenas sete e isto aumenta a carga emocional.
Após o último pequeno almoço e uma foto de “familia”
agradecemos a todos a hospitalidade e colaboração. Os
membros da 37ª expedição polaca foram excepcionais conosco e fizeram-nos sentir
parte da equipa. Dzienkuje Bardzo!!
Muito obrigado Agata, Ewa, Jacek, Kazik, Marek, Piotr and Piotr, Radek, Sylwia,
Waldek and Wlodek.
Amanhã ainda tentaremos encontrar alguns dos membros da
equipa de Copacabana que fazem uma curta escala em Punta Arenas e à tarde
saímos para Santiago. Depois São Paulo. A seguir Lisboa e finalmente Faro, onde
se não houver imprevistos terminaremos a “expedição” FISHWARM
2013 às 10.30 do dia 31. Domingo de Páscoa. Preparem as
amêndoas, os folares e os chocolates.


Arctowski
25/03/2013
LONGA SE TORNA A ESPERA...
Último dia em Arctowski. Esperamos a qualquer momento, de malas a postos, a confirmação de quando seremos recolhidos pelo Ary Rongel, o navio de investigação antártica do Brasil que tem estado todo o verão na Baía, em apoio à reconstrução da estação Comandante Ferraz. Dependendo do estado do tempo, que continua muito ventoso e variável, a saída poderá ser esta tarde, noite ou mesmo apenas amanhã de madrugada. Vamos com eles de boleia até à pista de aviação e depois para Punta Arenas num Hercules C-130 da Força Aérea do Brasil. Também a chegada e partida deste voo é incerta devido ao vento e nuvens baixas sobre a peninsula de Fildes.
Ontem terminámos a última experiencia e voltámos a encaixotar todo o material. O que segue conosco e o que vai no Polar Pioneer, o navio que presta apoio à estação polaca. Nele seguem elementos da equipa polaca que estavam cá desde finais de Outubro. Alguns saem em Ushuaia mas outros continuam até à Polónia numa viagem de mais de quarenta dias atravessando o Atlântico de sul a norte. Na estação ficam os sete invernantes, este ano com alguma companhia dos militares brasileiros que vão também invernar nos módulos provisórios de Ferraz. Em anticipação, tivemos um rancho melhorado no sábado, com direito a bolo de despedida e regado com algum vodka.

O fim do verão levou também alguma da animação das redondezas e os "intercambios sociais" com outras bases cessaram, e quase temos saudades dos chamamentos constantes do rádio no canal 16. O último evento fora de portas foi um passeio de barco e caminhada pela baía de Ezcura há quase duas semanas, umas vistas fantásticas, e desde então temos estado confinados à zona da base. Os dias anteriores passaram-se entre experiencias de aclimatação, canulações e amostragens. No total pudemos fazer seis experiencias diferentes, e temos material para muitas horas de laboratório. Hoje acondicionamos e preparamos também as nossas amostras para o transporte no Polar Pioneer. São mais de 2000 tubos com plasma, urina e diferentes tecidos para avaliar electrólitos, expressão génica, actividade enzimática, morfologia e tipo celular.
E por agora terminamos aqui... se tudo correr como planeado as próximas noticias saírão de outras paragens. Arctowski over and out. Back to one six.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
11/03/2013
LAVAR, ASPIRAR, PESCAR?

Ao fim de onze dias calha-nos outro dia de faxina. Queríamos sair a pescar mas entre os afazeres domésticos, o tempo frio e queda de neve, e o facto de todo o pessoal da base estar ocupado na instalação de uma nova antena de telecomunicações, hoje parece que ficamos em terra. É aborrecido porque poderíamos estar já a começar a última ronda de ensaios planeada para esta campanha.
Desde o dia 6, em que terminámos a amostragem da experiência anterior, só podemos ir pescar uma vez. O fim do verão aproxima-se e parece que os animais tentam obter toda a energia que podem. Na última vez que pescamos conseguíamos por vezes ver os peixes a seguir o isco quase até ao barco, e mesmo os pinguins não resitiram a vir dar umas bicadas nos peixes presos no anzol. Infelizmente, nesse dia, apesar das boas condições, não foi possível obter o número de peixes, e com o tamanho certo, necessário.
Entretanto no congelador as amostras acumulam-se e o material que trouxemos para as recolher começa a escassear. Arrumamos tudo. Começamos a rotular os tubos e a contabilizar soluções. Vai ser à justa mas chega. Já os fármacos necessitam de uma bem estudada ginástica para que as quantidades existentes permitam tratar os animais com doses efectivas. É que os peixes têm em média meio quilo, e conseguir obter um número grande de individuos mais pequenos implica demasiado tempo de pesca e em locais mais distantes da base.
No sábado o tempo não ajudou, com neve e um vento fraco mas gelado. Ontem esteve estável todo o dia, só que quando quisemos aproveitar a maré-cheia das 7 da manhã um problema com a bomba impediu que pudessemos renovar a água dos tanques para colocar os novos peixes. Após toda a manhã a tentar repará-la, foi com uma mega-bomba emprestada pelo chefe da base que finalmente às 16.00 pudemos deixar tudo pronto para pescar... Enquanto isto uns pinguins bricalhões faziam de um mini-iceberg o seu parque aquático privado, saltando, subindo, escorregando, mergulhando e voltando a subir. Voltámos a preparar canas, linhas e anzóis, oleámos carretos, cortámos o isco. E amanhã, a não ser que o vento seja demasiado forte, teremos de ir! Mesmo depois do Bruno passar uma noite em branco de sentinela ao gerador!
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
Arctowski 09/03/2013
감사합니다 - KAMSAMNIDA KOREA
Ontem, sexta-feira, dia 8, fomos numa comitiva polaca até à base sul-coreana King Sejong. Às 17.00 fomos recolhidos em Arctoweski por dois semi-rígidos da base argentina Carlini... os zodiacos de Arctowski não estão equipados para mar aberto e a distancia ainda é alguma, mas os 300 cavalos das lanchas fizeram com que lá chegássemos numa hora, não sem os dedos quase congelados apesar das luvas e o nariz e bochechas martirizados pelo granizo. Havia já vários anos que não existia qualquer intercâmbio entre Arctowski e as bases da zona oeste da Ilha do Rei Jorge, e fomos recebidos efusivamente, e com a famosa hospitalidade asiática.
Mas antes de por pé em terra firme, houve que transpor um obstáculo comum nestas paragens. Chegar com o barco ao pequeno porto da base foi uma demonstração de perícia e capacidade tecnológica. É que num raio de cerca de cem metros em redor da base o mar estava coberto de blocos de gelo. Aí coube ao piloto e marinheiros argentinos conseguir ziguezaguear entre aqueles para nos fazer chegar o mais perto possível até que a 20 metros de distancia o gelo quase compacto parecia impedir o acesso à base... foi então que os coreanos trouxeram uma enorme escavadora que com o braço articulado e balde removeu o gelo mais próximo e criou uma corrente e uma passagem que nos permitiu chegar finalmente a King Sejong, e cumprimentar Mink Yu Park e Donnie Young, o primeiro e segundo comandantes da 27ª expedição sul-coreana.
A base é das maiores e mais modernas da Ilha, e como ficou claro, cheia de maquinaria pesada. O barbecue que preparam teve lugar num hangar monstruoso, onde normalmente guardam camiões e gruas. Parrillada argentina, churrasco e sopa coreana, vinho chileno e vodka polaco. Infelizmente não temos nada portugues para partilhar, a não ser boa disposição, e isso é suficiente para um alegre convivio entre nacionalidades, seguido de uma animada sessão de karaoke... os coreanos dominam e os argentinos desafinam... e nós... enfim... é melhor nem contar. Ficamos a dormir na base. Neste momento já todos os cientistas partiram e restam apenas os dezoito membros da equipa invernante, pelo que os cerca de trinta quartos duplos das camaratas estão diponíveis. E hoje, pelas 7 da manhã saímos. Mais uma travessia do gelo, uma primeira paragem em Carlini para deixar os argentinos e mais uma hora no Estreito de Bransfield. No meio de algum nevoeiro vemos grupos de leões-marinhos e alguns icebergs "habitados" por pinguins. A lancha não pode aportar em Arctowski e o transbordo é feito com o zodíaco. Às 9 e 30 da manhã estamos de volta, molhados, ensonados mas contentes.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro


03/03/2013
TÁ CÁ UMA BESARANHA!!!
Hoje iniciámos uma nova experiência destinada a verificar o papel do eixo endócrino de resposta ao stress na aclimatação à subida de temperatura. Para isso injectámos os peixes a serem submetidos a temperaturas elevadas com substancias que inibem a libertação de hormonas como o cortisol, ou bloqueam a sua acção nos receptores dos tecidos alvo. A ideia é perceber se este eixo hormonal medeia as respostas que vimos em peixes não tratados. Como veículo destes compostos pouco insoluveis utilizamos uma mistura caseira de etanol, óleo de cozinha e margarina vegetal. Esta receita solidifica no interior do peixe e permite uma libertação lenta e a um efeito mais prolongado do tratamento... mas requer ser aquecida para poder ser injectada... nada que um banho maria improvisado não resolva.
Enquanto trabalhavamos no laboratório, em estilo estufa de vidro, o vento tornou-se cada vez mais forte e a meio da tarde soprava com rajadas que ultrapassavam os 80 nós, qualquer coisa como 150 km/k, que atiravam com pequenos seixos da praia contra os vidros e criavam mini-trombas de água no mar em frente. Saímos para verificar que todos os equipamentos que mantemos no exterior estavam bem presos e quase éramos nós a ser levantados do chão.
Mas como depois da tempestade vem a bonança, S.Pedro brindou-nos com um arco-iris sobre Artowski. Estragos a declarar - as bandeiras polaca e portuguesa que ficaram no mastro ficaram feitas em farrapos, alguns materiais ficaram espalhados pela área da estação, as parabólicas tremeram e a comunicação com o exterior levou algum tempo a ser restabelecida. Afinal está tudo bem.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

28/02/2013
Dia de limpezas e de pôr a escrita em dia!
Novo dia de faxina e mais tempo dentro do edificio
principal e, a pedido de muitas familias, a manhã serve para escrever,
escrever, escrever. As experiências de aclimatação estão a decorrer e o mau
tempo não permite pescar. Infelizmente a previsão para os próximos dias indicam
ventos de quase 40 nós... O limite de segurança para colocar os barcos na água
são 20 e nós para pescar normalmente não saímos se a velocidade for superior a
10 nós, qualquer coisa como 20km/h... é que os zodiacos, de borracha e ar,
oferecem pouca protecção e são fácilmente empurrados pelo vento.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
27/02 - Bye Bye Copa!
Hoje pela manhã chegou o Laurence M Gould, o navio
comissionado pela americana NSF para a investigação na zona da Península
Antártica e Shetlands do Sul. Vem "fechar" a base de Copacabana. Por isso não
tivemos o prazer da companhia dos americanos na festa. A data de chegada
é anunciada com muito pouca antecedência e a partida era às seis da manhã.
Esperemos que tenham uma boa travessia. A previsão que temos para a Passagem de
Drake está longe de ser a melhor... muito vento para uma das regiões mais
complicadas do oceano. O Gould foi também a nossa boleia de volta ao Chile o
ano passado e tivemos sorte, com o tempo e com o timing, mas agora chega demasiado cedo, e vamos precisar de mais algumas semanas para terminar as
nossas tarefas.
Após a festa, dia livre na base. Hoje não se trabalha, e
uns aproveitam para descansar outros para caminhar. Nós temos uma experiencia
para começar mas tentamos fazer todas as tarefas do dia logo de manhã para
poder acompanhar Sylwia, oficial de comunicações, e Agata, paramédica e
alpinista, num passeio pela costa até à queda de gelo Dera, uma forma de
glaciar que corre no topo da mantanha e cai abruptamente, ao invés do típico
vale. Daí subimos rapidamente à montanha. Temos de ter cuidado porque o declive
é grande e o vento forte empurra-nos quando subimos pela zona exposta e
caminhamos pela crista rochosa, o que pode tornar perigosos alguns movimentos.
Lá em cima o vento ruge. Põe em movimento pequenos grãos de gelo que ao rolar
sobre a superficie nevada criam um som semelhante a vidro partido no chão, e
obriga-nos a cobrir a cara. Aqui, sobre os penhascos Dutkiewicz, as vistas são
espectaculares. À nossa frente, ou nas nossas costas, um ambiente inóspito mas
grandioso.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
15/02/2013
Pinguins no calçadão de Copacabana!!


Para quebrar a rotina de bombear água entre pinguins e
elefantes marinhos e da limpeza e manutenção dos tanques, ontem fomos visitar
os vizinhos da base americana Pieter J. Lenie, a.k.a. Copacabana. A
desculpa oficial foi a comemoração dos 28 anos da instalação daquela pequena
base sazonal. Na realidade fomos captados, juntamente com a Sylwia, o Radek e a
Agata, aqui de Arctowski, para os ajudar na marcação de crias de pinguins gentoo
com anilhas nas asas/barbatanas. Estas juntam-se em creches e rodea-las com uma
rede não é complicado. Já apanhá-las quando decidem correr na lama e guano é
outra conversa. A nossa tarefa foi recolhe-los e pesá-los enquanto que colocar
a anilha ficou para os especialistas Wayne, Kathleen, Matt, Brette e Ana. Outra
diferente actividade desenvolvida em Copa foi a monitorização de moleiros, ou
skuas. Acompanhá-mo-los também a capturar os membros de alguns casais com crias
para recolher os aparelhos de GPS anteriormente colocados, que lhes vão
permitir saber por onde se deslocam para recolher alimento para as crias.
Infelizmente, tal como no ano anterior, esta época de reprodução não foi das
melhores. Todas estas actividades terminaram com com um belo "barbecue"
Antárctico (mas nada de espécies locais!!!!) e uns gulosos brownies...
Bruno Louro e Pedro M Guerreiro
20/02/2013
Bom dia Arctowski, Dzien Dobre Henryk!!
O senhor Henryk Arctowski todos os dias nos vê tomar o
pequeno-almoço. O retrato deste famoso explorador polar polaco, um dos
primeiros a invernar na Antárctida ocupa lugar de destaque na sala de refeições
e já viu passar muitas equipas do pessoal da base. Esta é 37ª expedição
desde da abertura da base em Fevereiro de 1977. Os preparativos da festa de
aniversário já começaram e foram enviados convites às bases e navios fundeados
nas redondezas.
Terminámos a segunda ronda de experiencias, em que testámos
a resposta a alterações abruptas de salinidade, e que complementam os dados do
ano anterior. Comecamos a ficar com um grande conjunto de amostras, o
congelador quase cheio e os dedos doídos de rotular tubos. Entretanto limpamos
os circuitos, voltamos a bombear água e a repor as condições originais.
Hoje é novamente dia de faxina. Calha-nos ajudar o
cozinheiro, pôr e levantar a mesa, lavar a loica, aspirar e limpar as zonas
comuns. E logo no dia em que toda a gente decidiu visitar a base. Ontem ao
final do dia chegaram 5 investigadores chilenos que estudam a flor antartica e
vêm monitorizar as mini-estufas que instalaram há cerca de seis semanas... não
vão ter uma boa supresa pois o vento destruiu algumas nas zonas mais altas. E
hoje de manhã chegaram 4 investigadores do Centro de Astrobiologia de Madrid, 3
espanhois e uma argentina, acompanhados por uma grande comitiva do navio
oceanográfico argentino que os trouxe, o Puerto Deseado. Para completar, dois
botes com pessoal peruano da base Machu Pichu e do navio oceanográfico Humbolt
também chegaram à praia. Até o helicóptero da Força Aérea Chilena passou por
cá. Casa cheia e uma amostra do que poderá ser a festa de aniversário. Cinco
bandeiras heasteadas no mastro. E para nós, muitos copos para lavar, voltar a
aspirar e limpar...
A base agora está com lotação esgotada. Partilhamos o
laboratório com os chilenos e espanhóis, mas parece que por pouco tempo.
Rapidamente estarão de abalada - os chilenos vão sair no Domingo e os espanhois
na Terca-feira, ficando somente outra vez a bandeira Portuguesa hasteada ao
lado da bandeira Polaca.
Bruno Louro e Pedro M Guerreiro
22/02/2013
Eu gosto é do Verão... Antárctico!!

Hoje algum frio e vento, muito vento... mas ontem tivemos o
melhor dia desde que chegámos. Um dia sem vento, sem nuvens, muito sol e até
calor... quase 5ºC. Dedicámos todo o dia à pesca, pois o verão antárctico
é instável e nunca sabemos quando teremos nova oportunidade. De manhã andamos
na enseada junto à base...onde temos o nosso "hot spot". Não correu mal, e juntámos
aos nosso stock mais alguns exemplares de Notothenia rossii, mas as grandes
cabeçudas, Notothenia coriiceps, que pescámos partiram linhas e anzóis e até a
ponta de uma das cana não resistiu. À tarde fomos experimentar pescar nas águas
mais salobras à frente do glaciar de Baranovski, onde o Matt viu um
leão-marinho comer uma Notothenia sp. Este é um aspecto interessante para
o nosso trabalho, perceber se estes peixes podem viver em zonas de escorrência
de água doce como as lagoas dos glaciares. E, como forma de retribuirmos as
lições de trabalho de campo, de caminho passámos por Copa para levar os
americanos à pesca... e não se saíram mal... ajudaram-nos a juntar mais cerca
de vinte indivíduos, o suficiente para a nova ronda de ensaios. Curiosamente
apanhámos algumas cabeçudas juvenis que ainda não tínhamos visto junto a
Arctowski. A base de Copacabana fecha na próxima semana e assim quando os
deixámos de volta encheram-nos o barco com caixas e sacos de comida... carne e
legumes congelados, batatas fritas, etc, etc... Chegámos a Arctowski como se
tivéssemos ido ao supermercado. Ainda bem, porque o Piotr, o cozinheiro,
continua a engordar-nos.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
23/02 - Febre de Sábado à Noite

No sábado 23 comemorou-se o aniversário da estação Machu
Pichu, e fomos convidados para a festa. De caminho demos boleia aos americanos
e rumámos à enseada MacKellar, umas das várias que formam a Baía do
Almirantado. Em Machu Pichu reuniu-se pessoal dos vários navios que se
encontram na zona, dos quais alguns participão na reconstrução da base
brasileira. Primeiro um pisco sour, e outro, e depois das declarações e fotos
oficiais, o almoço e a festa. Fomos muito bem recebidos, mas acho que ajudou
levarmos o barco cheio de raparigas...
À noite, o baile continuou em Arctowski. Aos habituais
polacos, americanos e nós, portugueses, somam-se este sábado os chilenos e os
espanhois... potencial para uma noite animada que Kazik, um dos polacos mais
veteranos, mas que não fala inglês, não quis deixar de catalizar com o seu
Harlem Shake ehhh... peculiar. A pose é de lutador de sumo, e os dedos têm de
apontar para os pés... e depois um movimento em redor de uma fogueira
imaginária. A verdade é que funcionou, e ao fim de meia hora havia espectáculo
na pista de dança improvisada na sala de refeicções, ao som de ritmos
latinos e sem faltar o ambiente disco dado por um pirilampo amarelo,
provavelmente subtraído ao tractor.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
24/02 - BIC
Humbolt, BIC Humbolt, Arctowski ? Vamos a Uno Quatro!
Após alguns contactos radio, Domingo foi dia de visitar o
BIC Humbolt, (Buque de Investigacion Cientifica), o navio oceanográfico
peruano. No sábado tínhamos falado com alguns dos cientistas acerca da
possibilidade de obtermos amostras de Notothenias rossii de outras zonas, assim
como de espécies relacionadas para um possível estudo filogenético. O dia
estava óptimo e o mar calmissímo. O Bruno e eu saímos no zodíaco e levámos
conosco uma das microbiólogas espanholas, que queria obter amostras dos
glaciares do outro lado da Baía. Apesar de ter sido construído em 1978, 0
Humbolt foi recente reformatado para a investigação antárctica e tem muito boas
condições e conforto. No convés somos recebidos por Martim, Carlos e Javier, do
Instituto del Mar del Peru, que antes de tudo nos convidam para almoçar a
bordo. Depois vamos para os laboratórios onde nos mostram os locais dos
transectos da campanha e alguns dos organismos recolhidos... entre eles várias
espécies de peixes antárticos que não capturamos com as nossas artes, isso, nos
vários sentidos da palavra. Para eles a época terminou e regressam ao Perú
dentro de poucos dias. Após uma frutuosa troca de impressões e perspectivas de
colaborações, trazemos conosco algumas amostras biológicas enquanto no convés
preparam o batismo antártico para aqueles que aqui estão pela primeira vez: um
banho numa piscina de água e gelo! Paramos junto a um glaciar para que Cristina
possa recolher as suas amostras, perfurando a parede de gelo. Ao sair desta
zona mar cobriu-se de blocos de gelo e temos de navegar com cuidado nesta
caipirinha... o motor quase parado permite ouvir o crepitar dos
mini-icebergs que flutuam à nossa volta... mas depois, a abrir para Arctowski.
Renovamos os tanques e voltamos a bombear água do mar, desta vez sem fatos e
com os pés de molho. Ah, de madrugada o Aquiles, navio da armada chilena,
recolheu os cinco cientistas chilenos e dois polacos... voltamos a caber todos
à mesa.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
25/02 - Normandia!
Logo pela manhã há manobras pesadas na praia. Ontem por
volta da meia noite chegaram a Arctowski os dois membros desta expediçao polaca
que estavam num refugio do outro lado da ilha desde novembro, a fazer
monitorização de aves e pinípedes. Quatro meses a viver de um gerador portátil,
cozinha, sala, quarto e laboratório num espaço único de 20m2. Foram recolhidos
com a ajuda do navio brasileiro Ary Rongel, pois o refugio fica demasiado longe
para os botes de Arctowski poderem trazer pessoas e equipamento. Mas à noite, quando
tentaram colocar o veiculo anfibio PTS na água para fazer o transbordo, o
isólito aconteceu. Ao transpor a duna de calhaus Kasik não viu uma enorme rocha
que havia ficado exposta na praia devido ao mar revolto, e o monstro ficou
preso, com uma das lagartas no ar, a pedra a romper o casco, e sem
possibilidade de sair. KUUURRWA!!! E operação abortada. Agora, outro anfíbio,
um tractor, um buldozer de lagartas e cinco agitados polacos tentam escavar em
volta do imenso calhau e rebocar o PTS. A carga virá mais tarde, em várias
travessias de zodíaco.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
26/02 - Party Arctowsky Styyyle
É dia de Aniversário Arctowski. Cumprem-se 36 anos desde a
instalação da base e o pessoal da 37ª Expedição não quer deixar esta data
passar sem brilho. Mas o tempo não ajuda e não é claro se haverá convidados.
Durante todo o dia preparam-se bolos, entradas, saladas, e toda uma diversidade
de pratos primorosamente decorados. Mas, à hora marcada, 4 da tarde, apenas os
ocupantes da base, incluindo-nos e aos espanhois, estão aqui para o discurso de
Marek, o chefe da expedição. Após o bolo e o espumante, e a fotografia com os
flares, que não deixam ver mais que fumo, sentamo-nos à mesa e atacamos os
acepipes. Parece que vai ser uma festa caseira quando alguém entra e diz o Ary
Rongel está a vir nesta direcção. Rapidamente começamos a lavar pratos, repor a
mesa, colocar copos e bebidas... Em poucos minutos um zodiaco sai do Ary
Rongel, depois outro e outro. E ao longe nas àguas revoltas da baía conseguimos
ver mais outros três, não quatro. E a base enche-se de brasileiros, peruanos,
argentinos, vindos também de Ferraz, do Humbolt, e do San Blas, alguns
completamente encharcados. Dentro, depois dos cumprimentos oficiais e oficiosos
e troca de galhardetes, começa a festa, cerveja e vodka para todos, e uma
babel de conversas, em que tentamos traduzir ingles, espanhol, brasileiro, e
depois de algum tempo, e algum vodka, até polaco. Marinheiros, oficiais,
cientistas, técnicos de construção, sobretudo homens, mas também algumas
mulheres, e muita animação. Afinal um grande sucesso e uma boa amostra de como
as várias nacionalidades convivem neste ambiente remoto. Stolat Arctowski!
Por volta da meia noite, o Hesperides volta à Baía para
recolher os cientistas espanhois. Damos uma ajuda e rapidamente carga e
passageiros se instalam no zodiaco e saem em direção ao navio. Levam os nossos
cumprimentos pois a bordo vão encontrar o Gonçalo, a Ana e o António, que
voltam da sua campanha e voam amanha para o Chile. Boa Viagem pessoal!
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

Primeiros Relatos da Viagem

Nuvens baixas, queda de neve e algum vento impedem a
aterragem do aviao da DAP no aerodromo Teniente Rodolfo Marsh Martin, da Força
Aérea Chilena, na Peninsula Fildes, em King George Island.
Deviamos ter saído às 9.00 e chegar por volta das 12.00 a
Fildes onde o navio oceanográfico Hespérides, da marinha espanhola, nos espera
para levar à base polaca de Henryk Arctowski, na Baia do Almirantado, onde
contávamos chegar para jantar. Ao invés, estamos de prontidão à espera de uma
aberta que permita o voo. A ordem é para nos mantermos juntos no mesmo local e
capazes de estar prontos em uma hora após a chamada.
Esta é uma situação relativamente comum numa região onde as
condições climáticas mudam rapidamente e várias vezes num intervalo de 24
horas, permitindo apenas previsões de curto alcance e com fiabilidade reduzida.
Além disso a precipitação e a temperatura na Antártica Maritima têm sido esta
época mais agrestes que em anos anteriores, e mesmo no pico do verão austral
ainda podemos ver grande cobertura de neve junto à pista do aerodoro de Fildes.
Assim este primeiro dia do projecto Fishwarm 2013 pode
redundar numa longa espera sentados no Hostal El Calafate, a base logistica não
oficial do Programa Polar, onde o Gonçalo Vieira e a Ana Salomé, também à
espera para seguirem com destino à base búlgara em Livinsgtone Island, se
multiplicam em contactos com a companhia aérea, o Instituto de Investigações
Antarticas do Chile, a empresa de transporte de equipamento e todos os demais investigadores
de várias nacionalidades que irão como passageiros neste voo fretado pelo
Propolar, e aqueles que o esperam para regressar da Antartica após o término
das suas missões. Enquanto isso eu, o
Bruno e o António Correia, que também irá para Livingstone,entretemo-nos com os
computadores e, por agora, esperamos.
Alerta geral. Informação de última hora: todos no aeroporto às 15.30 para poder sair às
17.00... mas sem qualquer garantia de voo. Façamos figas.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
Punta Arenas, 29/01/2013, 11.00h
2º DIA - CHEGADA A ARCTOWSKI
Eram18.00
quando finalmente pudemos sair de Punta Arenas no voo do Propolar. Sobrevoar
os fiordes mais austrais do continente americano e a passagem de drake. Depois
de cerca de duas horas aterrámos em Fildes e é o reencontro e troca de abraços
com as outras equipas portuguesas, mas rápido que o avião tem de voltar
enquanto o tempo permite. Sopra um vento gelado e a visibilidade
diminui rapidamente. Os carros do inach e da armada espanhola levam bagagens e
dão-nos boleia e assim evitamos caminhar um km à chuva e ao vento.
Já na praia
vestimos os fatos de sobrevivência, uma aventura para quem tem pressa. É que
temos de ser transportados rapidamente para o hesperides e há apenas dois
zodíacos para cerca de 30 pessoas e bagagens. Já no navio somos distribuídos
pelos camarotes. Há gente a dormir no chão porque não há lugar para todos...
com os atrasos também nós temos de passar a noite a bordo. Navegamos de noite e
estamos frente a Arctowski às 8 da manhã. Vestir o fato, descer a escada de corda
e ir no zodíaco até à praia. O nevoeiro baixou e começa a nevar. Há muito mais
neve que no ano passado e as montanhas e o campo de musgo junto à base estão
cobertas de branco. Às 9 da manhã de 30/01/2013 chegamos à nossa casa para os
próximos dois meses. Café quente é o que se segue.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
FISHWARM 2013 
Arctowski, 01/02/2013, 15.00h - FISH WANTED
No terceiro dia na base e quase totalmente acomodados, já temos o sistema de tanques montado, as bombas e termostatos testados e estamos praticamente prontos para começar as experiências. Próximo passo será terminar de bombear a água e ir depois à pesca para termos inquilinos. Para isso estamos dependentes da boa vontade dos Polacos e das condições climáticas. O tempo parece que irá criar hoje ao fim do dia uma pequena janela em que a tempestade de neve poderá acalmar... agora falta convencer os Polacos que ir à pesca é divertido! Penso que não será difícil, pois a equipa da base até agora tem sido excelente no apoio prestado.
Bruno Louro e Pedro M Guerreiro
Arctowski, 04/02/2013 GREAT SUCCESS, Borat dixit
Após uma primeira tentativa lúdica, mas bem sucedida, ontem à tarde, a pesca de hoje já foi uma actividade profissional. Canas, linhas, anzóis, chumbadas, contentores, chalavares... check! Fatos de sobrevivência, rádio, remos, ancora, cabos, flares, e depósitos de gasolina cheios... check! Tudo OK e o tempo ajuda... segundo a previsão haverá condições favoráveis até cerca das 15.00h. Afinal os polacos não estão motivados para a pesca. Assim, às 10.15h eu e o Bruno zarpamos sozinhos no zodiaco e apontamos ao centro da Baía. O local ideal para pescar não está longe da estação, e o morro do Point Thomas abriga-nos do vento noroeste. Após cerca de 10 minutos paramos o motor e iscamos os anzois. O sabor do dia: carne de porco.
Lançamos... não tarda muito até que começam a morder... primeiro o Bruno, e depois eu, vamos recolhendo vários exemplares de Nothotenia rossi, o Antarctic marbled rockcod, (qualquer coisa como o bacalhau-da-rocha marmoreado antarctico), entre 25 e 35 cm de comprimento. Por vezes duas ou até três na mesma linha, o que já dá alguma luta. O vento empurra-nos ao longo da baía, e quando ultrapassamos as rochas junto ao farol de Arctowski, as vagas aumentam, e é tempo de ligar o motor e voltar ao ponto inicial. Após um par de horas, várias passagens, e encontros imeadiatos com skuas, pinguins, petreis e uma baleia, que nos tirou a atenção da pesca por uns minutos, é tempo de ir a terra deixar o peixe. Cerca de 25 exemplares... não está mal. Recomeçamos e às 14.45 damos por terminada a faina. Ao todo, 40 peixes hoje, mais uns quantos que escaparam, e que se juntam aos 12 de ontem, por enquanto sem baixas... e ainda mais 6 Notothenia coriiceps, um peixe maior a que os brasileiros chamam Cabeçuda, que afinal não vão ser necessários para a experiência... o que fez a alegria de Piotr, o cozinheiro. Hoje foi um bom dia.
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro
Arctowski 09/02/2013
FUN RIDE
Estamos a trabalhar na Antárctida dentro de uma câmara frigorífica! Assim o exige o controlo da temperatura que é fundamental para as experiências: arrefecemos o ar para manter uma temperatura externa estavél, para voltar a aquecer a água dos tanques individualmente e de forma controlada. Após o período de aclimatização dos peixes à sua nova casa, estamos prestes a começar as experiências. Estas consistem em replicar os efeitos das rápidas alterações climáticas, tais como as variações de temperatura e salinidade das aguas das zonas costeiras deste habitat único, e verificar a capacidade da resposta fisiológica destes animais que aqui evoluiram durante cerca de 25 milhões de anos. Com isto queremos tentar perceber como reagem os peixes as estas variações do habitat e com que mecanismos moleculares e fisiológicos. Terão a plasticidade suficiente para a adaptação?

Após vários dias a bombear água sob o olhar preguiçoso de um grupo de focas elefante que decidiu fazer da "nossa" praia a "sua" praia, o meu dia de aniversário começou com uma noite em branco a fazer a vigia à sala dos geradores e caldeiras. Esta vigilância de 24h sobre 24h serve para tentar evitar tragédias como a que ocorreu à quase um ano do outro lado da baía, quando o grande incêndio que destruiu aa base antártica brasileira começou nas salas dos geradores. Morreram duas pessoas e houve vários feridos graves e há que deixar aqui a devida homenagem às vidas perdidas, mas a melhor homenagem aos seus compatriotas é a que os brasileiros estão a fazer, com uma reconstrução rápida da base, mostram com perseverança que as suas mortes não foram em vão!
Para terminar com uma nota de humor, ontem fomos à pesca de ofiurídeos ... não encontrando nada na maré baixa, tivemos de recorrer a todos os recursos possíveis e imaginários, até mesmo à antiga tecnologia militar soviética herdada pelos polacos! Um tanque anfibio!!
Bruno Louro e Pedro M Guerreiro
SN(L)OW DAY IN ARCTOWSKI
12/02/2013 17:30h
Ao contrário do sol radioso e calmaria de ontem, o dia hoje amanheceu frio, ventoso, com nevoeiro e bastante neve, que ainda não parou de cair. Felizmente os planos do dia eram pouco ambiciosos. Como ontem à noite terminámos a amostragem da primeira experência desta campanha de 2013, hoje tomamos notas,
organizamos amostras, preparamos os próximos dias e respodemos ao e-mail. Ontem durante o dia aproveitámos o bom tempo para sair à pesca. Não fora a temperatura da água e do ar, e os pequenos icebergs ao redor do zodíaco e poderiamos estar numa qualquer praia tropical vestidos com ridíiculos fatos de sobrevivência. A pesca correu bem e conseguimos juntar mais cerca de 30 peixes ao stock. Assim hoje apenas teríamos de proceder a renovações de água e afinar os tanques para a próxima experiência, enquanto os peixes se ajustam ao cativeiro.Mas tarefa relativamente simples de bombear água do mar foi dificultada pelo mau tempo mas sobretudo pelas focas-elefante! Já há alguns dias que estes gigantes pachorrentos andam aqui mas hoje decidiram utilizar exactamente o corredor onde passa o tubo e os cabos da bomba para os seus banhos de sol (se o houvesse) e mar ... e não podemos arriscar que as suas centenas de quilos e falta de jeito para "caminhar" em terra esmaguem o equipamento ... assim nada feito... há que utilizar a água salgada que haviamos armazenado anteriormente, apesar da temperatura não ser a ideal.
Entretanto na base para além da rotina habitual espera-se a chegada do navio oceanográfico Humbolt da marinha do Peru, que deverá trazer o Presidente daquele país de visita à base de Machu Pichu, também aqui na Baía do Almirantado, e dar boleia a quatro chilenos que ficaram retidos em Arctowski. Estes planos também têm sido adiados pelas instáveis condições climáticas. Eis os acontecimentos mais dignos de nota dos últimos dias... na quinta-feira uma visita-relâmpago do helicóptero da força aérea chilena que veio recolher o correio... desculpem, mas ainda não tínhamos escrito os postais!... na sexta-feira a visita de um navio de cruzeiros repleto de turistas séniores alemães, ao qual fomos recolher uma caixa de frutas frescas (é que há que combater o escorbuto!!)... no sábado o aniversário do Bruno, com direito a bolo, mesa farta e a costumeira festa, ao som do hit Chica Bomb de Dan Balan, desta vez sem os colegas da base americana de Copa, que não conseguiram deslocar-se devido ao vento... e no domingo o desastroso desaparecimento de um dos kayaks dos chilenos que faziam turismo-aventura, talvez levado durante a noite pelos ventos fortes e maré alta... tudo aqui tem de ser continuamente protegido dos elementos. Toda uma semana de emoções fortes!!
Pedro M Guerreiro e Bruno Louro

Mais detalhes sobre a campanha Antártida Portuguesa PROPOLAR
Projeto FISHWARM
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13.03.2013 (última atualização)