
Por onde nadam e a que profundidade os tubarões-martelo? Que percurso fazem no Oceano Atlântico? Que habitats procuram para se reproduzirem? São algumas das questões para os quais os investigadores procuram resposta através deste projeto pioneiro, que tenta pela primeira vez saber mais sobre os tubarões-martelo-liso (Sphyrna zygaena), uma espécie considerada "vulnerável" pela União internacional para a Conservação da Natureza.
O projeto SHARK-TAG, com o apoio do Oceanário de Lisboa e com participação de Investigadores do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR) e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA, I.P.), tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre as migrações e a utilização de habitats do tubarão-martelo-liso (Sphyrna zygaena), recorrendo à marcação de exemplares em várias regiões do Oceano Atlântico.
Esta semana foi colocada a segunda marca num tubarão-martelo-liso, o que significa que até ao momento o projeto conta com dois exemplares marcados da espécie Sphyrna zygaena, um macho e uma fêmea, cada um com cerca de 2.1 m de comprimento e 50 Kg de peso. Estes tubarões foram marcados na zona tropical central e Este do Oceano Atlântico, com o objetivo de seguir os seus movimentos ao longo dos próximos meses, a fim de se determinar quais os seus padrões de migração e as profundidades preferenciais ao longo do dia e da noite.
Estas marcações foram efetuadas a partir de navios da frota Portuguesa de palangre de superfície, por técnicos do IPMA (ex-IPIMAR). Estes estudos visam a conservação de diversos tubarões pelágicos (ex. tubarões azul, anequim, zorros, martelos, pontas-brancas e luzidio) e uma melhor gestão pesqueira destas espécies, algumas das quais se encontram atualmente protegidas no Oceano Atlântico.
As marcas de satélite utilizadas, que foram pela primeira vez colocadas nesta espécie de tubarão-martelo, representam a tecnologia de ponta para este tipo de estudos, e estão programadas para registar dados de localização, profundidade e temperatura ao longo dos próximos meses. Uma vez terminadas a suas missões, as marcas soltam-se automaticamente e os dados são transmitidos aos investigadores através de uma rede de satélites científicos em orbita terrestre. Os dados das marcas agora colocadas deverão ser conhecidos a partir do final do ano.
Estes dados inovadores serão uma contribuição importante para o estudo desta espécie ao longo do Oceano Atlântico e para perceber a mortalidade pós-pesca do tubarão-martelo-liso.
Este tubarão é uma espécie semipelágica, com distribuição global em zonas temperadas e tropicais. É um dos maiores tubarões-martelo, ocorre em zonas costeiras e em águas abertas, sendo particularmente suscetível à sobrepesca.
Os resultados deste estudo que recorre à telemetria via satélite, irão complementar os resultados de outros estudos na área da biologia e genética de populações desta espécie de tubarão-martelo no Atlântico. Este conhecimento é fundamental para a implementação de medidas de gestão e conservação desta espécie.
Fotos:
Em cima, à direita: Localização das marcações de dois
tubarões-martelo no âmbito do Projeto SHARK-TAG
Em baixo, à esquerda: Marcas de telemetria de satélite
utilizadas no Projeto SHARK-TAG