Uma mão cheia de areia numa praia na Escócia revelou uma insuspeita riqueza e complexidade extraordinárias de animais microscópicos até aqui desconhecidos.
O estudo publicado na revista online Nature Communications utilizou uma nova abordagem que permite identificar rapidamente através de sequências de ADN pequenos animais multicelulares existentes em comunidades escondidas. Esta abordagem, a que chamaram metagenética ambiental, tem o potencial de revolucionar métodos tradicionais de identificação de espécies e análises ambientais, revelando a estrutura e composição dessas comunidades.
O projecto faz parte do doutoramento de Vera Fonseca membro do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) e engloba uma equipa internacional liderada pelo Dr Simon Creer da Universidade de Bangor que conta também com a colaboração da Professora Deborah Power, do CCMAR - Universidade do Algarve.
O estudo permitiu identificar a diversidade genética de várias espécies marinhas bentónicas (que vivem nos sedimentos) ao longo de uma praia escocesa com tamanhos compreendidos entre 0.045 mm e 1mm. Estes ecossistemas marinhos são de reconhecida importância no fluxo de energia entre as cadeias tróficas, reciclagem de produtos tóxicos, transferência de nutrientes e ainda como principal fonte de alimento a níveis tróficos superiores como macrobentos e peixes. Esta abordagem pode ser adoptada para o estudo de organismos microscópicos presentes em qualquer ecossistema.
"As técnicas de sequenciação utilizadas são mais rápidas e mais baratas do que as utilizadas tradicionalmente. De forma a completar o mesmo tipo de estudo utilizando técnicas tradicionais levaríamos centenas de anos na identificação manual de cada espécie nestas amostras," refere Vera Fonseca, autora do artigo.
No ano da Biodiversidade é importante salientar a importância que estes estudos têm no maior habitat da terra: o sedimento marinho. Estes estudos abrem também caminho para investigações futuras em áreas tão diversas como o aquecimento global, o efeito da poluição no ecossistema e na distribuição de microorganismos desde o fundo do mar até às regiões polares.
"Pela primeira vez foi possível ter acesso a níveis de biodiversidade de comunidades marinhas utilizando técnicas de pirosequenciação que poderão ser aplicadas a habitats tão ricos e importantes como a Ria Formosa", refere a Professora Deborah Power.
O projecto foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (Vera Fonseca) e pelo Natural Environment Research Council (Simon Creer).
Legenda: Alguns dos representantes da meiofauna marinha
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