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O Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, na Arrábida, é considerado um caso de sucesso. Graças ao projecto BIOMARES, coordenado pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR), o Parque apresenta os primeiros indícios de recuperação da fauna marinha. Uma boa notícia para o Parque que celebrou no dia 14 de Outubro, 12 anos de existência.

Em dia de aniversário, a notícia não poderia ser melhor. Os resultados da monitorização da pesca experimental realizada no âmbito do Projecto Biomares, coordenado pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR), mostram que há maiores capturas nas zonas de protecção parcial e total comparativamente com a zona de protecção complementar. Além disso, para o último ano de 2010, já se observou um considerável aumento de biomassa capturada nas áreas com o estatuto de protecção parcial e total. É de realçar que não é comum observarem-se resultados do efeito de protecção em áreas marinhas ao fim de tão poucos anos e neste sentido, o Parque Marinho Professor Luiz Saldanha é já um caso de sucesso.

A pesca experimental é uma das tarefas principais do Projecto Biomares. Consiste em simular uma pesca comercial, ou seja, é realizada a pesca com rede de tresmalho, as espécies são identificadas, medidas, pesadas e devolvidas ao mar.
Esta tarefa teve início em 2007 e ao fim de três anos os resultados desta tarefa de monitorização ambiental já mostram que as espécies do Parque Marinho estão a responder bem à regulamentação adoptada.

Alguns grupos de espécies parecem beneficiar da protecção mais que outros, em grande parte por apresentarem hábitos mais sedentários e/ou fidelidade ao território. É o caso das raias. Este grupo aparenta já estar a beneficiar das medidas de protecção do Parque Marinho, e para estes peixes, qualquer indício de recuperação é importante, pois têm-se observado preocupantes declínios nas populações mundiais nas últimas décadas. As raias, tubarões e cações que também mostram uma boa recuperação no Parque Marinho são particularmente vulneráveis à sobrepesca, uma vez que têm crescimento lento e baixas taxas de reprodução. É portanto uma boa notícia saber que encontram no Parque Marinho um refúgio para recuperar a população!

As espécies de raias que ocorrem na zona do Parque Marinho com maior frequência (raia-lenga Raja clavata, raia-riscada R. undulata, raia-branca Rostroraja alba) são alvo da pesca com redes, dado o seu valor comercial. Os resultados da pesca experimental revelam que estas raias estão a beneficiar das áreas de protecção parcial e total, além de mostrarem tendência de aumento em todo o Parque Marinho, o que é um sinal do potencial que as medidas de protecção têm de influenciar positivamente inclusive as áreas onde ocorre mais pesca.
Estes resultados indicam que as medidas de protecção implementadas no Parque Marinho estão a contribuir para o desenvolvimento de uma pesca sustentável, um legado importante para as gerações vindouras.

Leia o Comunicado de Imprensa aqui (pdf)