Nem o facto de ser activa e de ter uma mobilidade ímpar a conseguiu esconder dos olhares bem atentos dos mergulhadores e voluntários do jogo que pôs todos à procura da fauna marinha. A Anémona-nocturna foi a espécie mais registada pelos participantes do "QPEIXE".
O desafio foi lançado pelo jogo "QPEIXE" e foram muitos os contributos de mergulhadores e curiosos à procura da fauna marinha portuguesa. O projecto, coordenado pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR), iniciou apenas há alguns meses, mas já permitiu à comunidade científica retirar as primeiras conclusões sobre os dados obtidos.
Entre as espécies registadas com maior frequência, estão a Anémona-nocturna (Alicia mirabilis), o Cavaco (Scyllarides latus) e a Gorgónia-camaleão (Paramuricea clavata), e entre as menos avistadas estão os Corais-laranja (Dendrophyllia ramea), o Mero (Epinephelus marginatus) e a Veja (Sparisoma cretense).
Estes primeiros resultados demonstram uma grande dispersão e frequência da Anémona-nocturna e muita raridade nos Meros, Vejas e Corais-laranja. A maior parte das espécies em jogo são naturalmente encontradas nos Arquipélagos dos Açores e Madeira, tendo uma distribuição mais restrita a Sul no continente. Até agora, a Berlenga constitui o ponto mais a norte na distribuição de Anémona-nocturna, Buzina e Gorgónia-camaleão, embora para esta última exista um registo da mesma mais a Norte (Viana do Castelo).
Por enquanto, a maior parte dos registos situa-se também em zonas de maior concentração (e dinâmica) de clubes de mergulho (Algarve, Arrábida e Berlengas), mas os coordenadores do projecto esperam conseguir mobilizar mais voluntários de outras zonas do país, no decorrer do Verão.
O projecto "QPEIXE" tem como objectivo aumentar o conhecimento da fauna marinha e do Portugal subaquático. Para participar no jogo, basta gostar de mar e aceitar o desafio de procurar as espécies e identificá-las. Esta tarefa é facilitada no site do jogo: http://www.qpeixe.com/ , onde para além de várias fichas das espécies consegue encontrar dados curiosos do projecto e testar os seus conhecimentos subaquáticos num divertido quizz.
Anémona-nocturna (Alicia mirabilis)
Outros nomes: Anémona-do-mar, Anémona-baga-de-amora
Identificação: Tentáculos longos, finos e numerosos que quando totalmente estendidos podem alcançar 1 metro de comprimento. Quando retraída têm a forma de vulcão. Coluna ou pedúnculo ramificada com estruturas parecidas a bagas de amora pegajosas (que emalham as presas) e células que, quando activadas, lançam uma estrutura em forma de arpão, contendo uma toxina que é injectada na presa, causando paralisia e morte (nematocistos). Estas células também estão presentes nos tentáculos. Cor variável, frequentemente bege-arroxeada ou acastanhada, mais intensa nos tubérculos. Quando completamente estendida esta anémona apresenta um cor verde-amarelada. De grandes dimensões que em coluna pode atingir 40cm de altura. Base com 11cm de diâmetro.
Distribuição: Esta espécie tem sido registada nas Canárias, Açores, Mediterrâneo, Mar Vermelho e no sudeste do Atlântico Norte e a sua área de distribuição está a expandir devido ao aquecimento global. Presente também nas Bahamas e na Florida. Em Portugal, sabe-se que é comum no Algarve.
Quer saber mais sobre esta e outras espécies?
Visite o site: http://www.qpeixe.com/
(Foto: Jorge Gonçalves (CFRG - CCMAR))
Para mais informações, contacte:
Departamento de Comunicação
Email: infoccmar at ualg.pt
Tlf: +351 289 800 050 / Tlm: 913794995
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