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Um cruzeiro de investigação, do projecto Europeu ATP, no qual Portugal participa através do CCMAR, confirma uma maior expansão de águas do Atlântico para norte pela região polar Árctica.

As
pesquisas mostram que as espécies-chave do Árctico estão em declínio nesta
região.

A
investigação em curso procura determinar o limiar de aumento de temperatura que
causa mudanças abruptas nos ecossistemas do Árctico.

Estas
actividades representam o lançamento de um novo projecto, ao abrigo do 7ª Programa-Quadro
europeu, sobre o impacto das alterações climáticas e limiares nos sistemas do
Oceano Árctico: Arctic Tipping Points (ATP).

Um
cruzeiro de investigação no sector europeu do Oceano Árctico,  no navio Jan Mayen (da Universidade de
Tromsø  - Noruega), encontrou áreas
invadidas por águas mais quentes do Atlântico onde anteriormente se encontravam
águas frias do Árctico. O deslocamento em direcção ao norte de águas mais
quentes do Atlântico está a empurrar e restringir as espécies  chave desta região também mais para o norte
dentro bacia do Árctico. O líder deste cruzeiro, Paul Wassmann, da Univ. de
Tromsø, refere em comunicado de imprensa que esta situação denuncia "a
escassez da principal espécie chave do Árctico, Calanus glacialis, um crustáceo muito rico em lípidos e fundamental
para a cadeia trófica, parece representar um alerta de um emergente "ponto de
transição no ecossistema". As proeminentes aves marinhas Árticas, Alle alle, designadas Little Auk em Svalbard, alimentam-se
quase exclusivamente de Calanus glacialis
adultos, mas as condições alimentares nas proximidades das colónias
deterioraram-se nos últimos anos e estas aves poderão vir a extinguir-se nos
próximos anos ".

O Cruzeiro foi a primeira actividade do
projecto "Arctic Tipping Points (ATP)", financiado no âmbito do 7 º
Programa-Quadro da UE. O termo "Tipping Point", 
refere-se a um limite crítico em que pequenas perturbações podem alterar
qualitativamente o estado ou o desenvolvimento de um sistema. E dado que o
Árctico está a sofrer um aquecimento cerca de três vezes mais acelerado do que
a taxa global de aquecimento mundial, os seus ecossistemas são mais
susceptíveis de atingir pontos de transição de alterações bruscas nos
ecossistemas devidas a alterações climáticas

Isto pode conduzir a mudanças ecológicas bruscas
muito mais cedo do que o previsto, em comparação com outras regiões. A
espectacular recente aceleração da perda gelo Árctico indicia que as mudanças
climáticas entraram numa nova fase. Na verdade, o gelo do Árctico foi
identificado como um dos principais elementos chave nas alterações globais do
sistema climático mundial, e alterações no Árctico repercurtir-se-ão à escala
global. Modelos actuais sugerem daqui a duas décadas o Oceano Árctico estará
maioritáriamente livre de gelo no final do Verão, e no Inverno terá uma
cobertura formada principalmente de gelo com menos de um ano. "Essas
extensas mudanças no gelo do mar terão efeitos sem precedentes sobre os
ecossistemas do Árctico. Estabelecendo onde e quando estes pontos serão
alcançados é, portanto, uma questão de urgência ", afirma o coordenador do
projecto Paul Wassmann.

O projecto Arctic Tipping Points (ATP) irá
identificar os elementos do ecossistema marinho Árctico susceptíveis de mostrar
alterações bruscas como resposta às alterações climáticas. O cruzeiro de
investigação concluiu que um pequeno crustáceo do Árctico, o copépode Calanus glacialis, um elemento
fundamental da cadeia alimentar, desapareceu de regiões onde era anteriormente
abundante. "É de esperar que o deslocamento para norte das águas mais
quentes do Atlântico, faça deslocar consigo as espécies do Árctico. A ausência
de Calanus glacialis é consistente
com as previsões do modelo e pode ser indicar já uma mudança global na cadeia
alimentar do Árctico", diz Elena Arashkevich, investigadora-líder no ATP,
do Instituto de Oceanografia Shirshov, Academia Russa de Ciências, Moscovo.

O cruzeiro trouxe de volta um grande volume
de água do Árctico para as instalações do Centro Universitário em Svalbard, UNIS
(Longyearbyen, Svalbard), onde os investigadores do projecto estão a levar a
cabo experiências para verificar o limiar de aquecimento a partir do qual
ocorrerão mudanças bruscas na comunidade planctónica. Carlos Duarte,
investigador do CSIC, em Espanha, indica que "as experiências em curso vão
ajudar a melhorar modelos e validar as suas previsões, dado que as alterações
bruscas assinaladas em processos não-lineares, são notavelmente difíceis de
prever. Os resultados obtidos até agora, indicam que mudanças bruscas podem
ocorrer com aquecimento muito inferior aos 9 º C esperados para o Árctico ao
longo do século XXI ".

Os resultados destas expedições e
experiências científicas serão complementados por modelos oceanográficos,
ecológicos, de pescas e económicos, para determinar os efeitos da passagem
destes pontos de transição nos ecossistemas marinhos do Árctico, e os
respectivos riscos e oportunidades associados para as actividades económicas
que dependem do ecossistema marinho do Árctico. De uma forma mais alargada,
este projecto visa chamar a atenção dos decisores políticos para a
possibilidade de se ultrapassarem determinados pontos de transição brusca no
Árctico à escala regional e global.

À escala regional, o projecto ATP deve
analisar como é que as instituições e políticas para a gestão dos recursos
marinhos vivos, o turismo e o desenvolvimento petrolífero, irão lidar com
situações de rápida mudança nos ecossistemas impulsionadas pelas alterações
climáticas. "Esta é uma situação totalmente nova e é um severo teste das
capacidade das instituições existentes elaborarem políticas que sejam
sustentáveis ao longo do tempo. O projecto ATP visa apoiar os esforços das
instituições no Árctico Europeu para elaborar políticas e estratégias para
lidar com estas alterações no ecossistema", afirma Anne-Sophie Crepin,
economista social no Beijer Institute of Ecological Economics, Real Academia
Sueca das Ciências, em Estocolmo.

Numa escala global, a compreensão destes
pontos de transição rápida entre diferentes estados do ecossistema do Árctico
devidos a aquecimento deverão ser considerados nas negociações para um novo
acordo internacional de regulação das alterações climáticas, e será útil para
informar a posição da UE durante as negociações. "As zonas marginais de
gelo já não são a última fronteira das zonas polares desconhecidas, elas
tornam-se agora trincheiras da luta contra as alterações climáticas",
conclui Paul Wassmann, coordenador  do
projecto ATP.

 

Faro,
17 de Julho de 2009

Fonte: Arctic Tipping Points

Projecto financiado pelo 7º Programa-Quadro da UE

Total contribuição UE: 5 milhões Euros

Período: 2009-2011

13 parceiros de 11 países: Norway (Coordenador), Denmark, France, Germany,
Greenland, Poland, Portugal (CCMAR), Russia, Spain, Sweden and UK.

Visite-nos em:  www.eu-atp.org