Skip to main content
Cerca de 25% dos 14 mil Km2 da plataforma de gelo de Wilkins, na Antárctida, desprenderam-se há cerca de uma semana, formando gigantescos icebergs que estão a começar a dispersar-se pelo Oceano do Sul.

Cerca de 25% dos 14 mil Km2 da plataforma de gelo de Wilkins, na Antárctida, desprenderam-se há cerca de uma semana, formando gigantescos icebergs que estão a começar a dispersar-se pelo Oceano do Sul.
Uma equipa de cientistas de vários países, entre os quais Gareth Pearson, investigador do Centro de Ciências do Mar na Universidade do Algarve, estava numa expedição na Antárctida a bordo do navio «Hesperides» e imediatamente se deslocou para o local de quebra da plataforma de gelo, para estudar o impacto nos ecossistemas desta recente fragmentação da plataforma Wilkins.

Os resultados mais recentes da investigação científica demonstram que a parte ocidental do continente da Antárctida está a aquecer de forma muito rápida, o que levou ao desprendimento da placa de gelo da plataforma.
A coincidência entre a expedição, no âmbito do projecto ATOS, financiado pelo Ministério da Ciência e Inovação Espanhol, e a ruptura do bloco de gelo é vista como uma oportunidade para investigar as consequências que este tipo de episódios podem ter em termos de ecosistemas marinhos, referiu em press release Jordi Dachs, o cientista que lidera a expedição na Antárctida.
Gareth Pearson, investigador do CCMAR, está nesta expedição a estudar as comunidades de fitoplâncton, através de um projecto financiado pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia).
O cientista refere que muitos dos fragmentos de gelo nesta área apresentam uma coloração devida à presença de densas comunidades fitoplanctónicas, que indicam que a produção primária por fotossíntese é muito elevada nesta área, principalmente depois da ruptura do bloco de gelo. Esta produtividade parece ter aumentado rapidamente através da cadeia alimentar até chegar aos predadores de topo, como as focas leopardo e as baleias, espécies que se revelaram bastante abundantes. Segundo o comandante do navio, a navegação nesta zona tem de ser muito cautelosa porque a topografia destes fundos anteriormente cobertos pela plataforma de gelo é mal conhecida, tendo apenas cerca de 150 a 300 metros de profundidade e alguns icebergs chegam a medir mais de 200 metros de altura.

A expedição integra cientistas de Espanha (CSIC), Portugal (CCMAR), Reino Unido, (Universidade de Lancaster), Canadá (Universidade de Quebec e Montereal) e EUA (Universidade de Harvard).

Esta expedição, no fim do Ano Polar Internacional (comemorado entre 2007 e 2009), assistiu infelizmente à maior perda de gelo polar documentada até agora, pelo que os cientistas esperam publicar os resultados da sua investigação tão breve quanto possível, de forma a poder partilhar com toda a sociedade as suas preocupações e a necessidade de tomar medidas rapidamente.

Documentos extra: Press release