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climate change
monitoring of marine life

Os corais de águas frias são espécies que têm um papel-chave na criação de ecossistemas, sendo responsáveis por proporcionar abrigo e fonte de alimento para inúmeras espécies marinhas, desde a plataforma continental até às profundezas abissais. Contudo, são altamente vulneráveis devido à sua natureza séssil e às baixas taxas de crescimento. 

Foi essa importância e vulnerabilidade que levaram uma equipa de investigadores do CCMAR a procurar respostas: onde se encontram os corais de águas frias do planeta e quais as consequências das alterações climáticas para a sua distribuição?

Para responder a estas questões, a equipa recorreu a ferramentas de machine learning para analisar 741 espécies de corais e criar o primeiro mapa global da sua biodiversidade. Publicado na revista Global Change Biology, o estudo traça não só a distribuição atual destas espécies, mas também o seu possível destino em diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa.

“Os nossos modelos tiveram em consideração parâmetros complexos que definem os habitats de corais, como condições físicas  (ex.: temperatura), complexidade do local (ex.: rugosidade do terreno), condições hidrodinâmicas (como as correntes que influenciam a alimentação de animais filtradores, como os corais)”, explica Eliza Fragkopoulou, autora do estudo.

Generic representation of As ondas de calor marinhas são mais intensas e duram mais tempo em águas mais profundas

“Assim, percebemos que vários tipos de corais reagiam de forma semelhante às condições do ambiente em que vivem. Isso permitiu agrupá-los em 10 conjuntos diferentes. Também verificámos quais as regiões do mundo com maior variedade de corais de águas frias.”

Eliza Fragkopoulou

Mas o objetivo não era apenas cartografar o presente, era antecipar o futuro. Os investigadores descobriram que a escala das mudanças futuras está diretamente ligada ao grau de emissões de gases de efeito estufa. 

No cenário de emissões elevadas, poderão ser esperadas perdas generalizadas e uma elevada reestruturação das comunidades de águas profundas. As comunidades de corais tenderão a migrar para latitudes mais frias e para maiores profundidades. Em contrapartida, zonas costeiras e hotspots de biodiversidade, como o Golfo do México, poderão perder grande parte das suas espécies endémicas.

“Estas transformações não afetam apenas os corais, mas todo o ecossistema que deles depende”, sublinha Jorge Assis, líder da equipa de investigação. “A urgência é clara: é necessário cumprir as metas do Acordo de Paris e reforçar as redes de Áreas Marinhas Protegidas para garantir a resiliência futura dos oceanos.”

O mapa, agora criado, oferece uma nova base de conhecimento para a conservação global, destacando as regiões que mais precisam de proteção e aquelas que poderão funcionar como refúgios climáticos. É também um lembrete de que, mesmo longe dos nossos olhos, a vida nas profundezas do oceano está intimamente ligada às nossas escolhas à superfície.


Referências: